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22/08/2014 18:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Corredores de rua promovem evento em homenagem ao maratonista atropelado na USP

Antonio Milena

“Hoje em dia, em São Paulo, qualquer atividade é difícil de competir com carros”. Karen Riecken, corredora de rua de 31 anos, relata com pesar os obstáculos de atletas que tentam se exercitar, praticar uma vida saudável e travar, por meio do esporte, novos vínculos e experiências sociais em uma metrópole que nutre um tremendo fascínio por automóveis – são 7,6 milhões de veículos (entre carros, motos, ônibus e caminhões) para 11,8 milhões de habitantes.

A profissional de marketing corre há dois anos na USP, e sensibilizada com a morte do maratonista Álvaro Teno, de 67 anos, atropelado por um motorista que dirigia embriagado dentro do campus da universidade no último dia 16 - além de uma morte, outros quatro corredores ficaram feridos no acidente -, decidiu promover, em conjunto com a ATC (Associação dos Treinadores de Corrida) e companheiros de treino de Teno, o evento “Black Run – Respeito ao atleta de rua”.

Colegas e familiares do maratonista morto no acidente na USP se reunirão no Clube Paineiras, onde Teno treinava, partindo em corrida para a Praça do Relógio localizada dentro do campus da universidade, onde se encontrarão com outros atletas da USP e interessados em participar da homenagem, às 9h da manhã. Os organizadores pedem para os atletas irem vestido de preto, em luto.

Será realizado, então, “um abraço coletivo ou uma oração”, segundo o evento criado no Facebook, que até o início da tarde desta sexta-feira (22), contava com 3,4 mil pessoas confirmadas. O alto número de atletas esperados na homenagem surpreendeu Riecken. “Esperava apenas que algumas pessoas que têm treinado frequentemente na USP se mobilizassem, mas parece que todos ficaram muito chocados. Isso foi bom para sermos vistos, mas realmente espero que as pessoas mantenham sua rotina de treinos na USP e façam uma homenagem segura e muito bonita como o Sr. Álvaro merece”, afirma.

A ideia de fazer a homenagem a Álvaro Teno também foi estimulada pela vontade de “conscientizar os motoristas que passam pela USP, seja de ônibus ou carro, que lá é um local bem movimentado e não custa nada ter cuidado”. Além disso, Riecken pontua que “álcool e direção não combinam” e ressalta que há um movimento chamado “Não Foi Acidente”, que colhe assinaturas para uma petição que busca alterar a legislação para acabar com a impunidade no trânsito brasileiro. “Imagina você sai para treinar, cuidar da sua saúde e acontece isso?”, questiona a corredora.

O atropelador, Luiz Antônio Conceição Machado, foi preso em flagrante no mesmo dia acidente, acusado de homicídio culposo, lesão corporal e embriaguez ao volante. Na segunda-feira (18), o pedreiro foi transferido para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, depois de a Justiça acatar determinação do Ministério Público de que de que há indícios de homicídio doloso (com intenção) no crime.

Um desabafo sobre disputa por espaço de corredores com carros, mesmo dentro de um campus de universidade, onde, teoricamente, a prática esportiva deveria ser privilegiada, então, se faz necessário. “As pessoas, mesmo de domingo, ficam incomodadas que corremos em grupo, cansei de sair com a minha equipe e ter alguém xingando e gritando conosco, sendo que nem atrapalhamos, basta ter um pouco de paciência. Sabemos que é perigoso e tentamos nos proteger, por isso estamos escrevendo sobre isso, aproveitando que o assunto está em alta”, pontua Riecken.