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21/08/2014 13:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

A cada quatro vítimas do ebola na Libéria, três são mulheres; entenda os motivos

John Moore/Getty Images

“Achava mais fácil suportar as dores alheias que as próprias.” (trecho do livro O amor nos Tempos de Cólera, de Gabriel García Márquez).

Quando Oliver Wilson levou sua esposa Layson para um centro de isolamento de casos suspeitos de ebola, ela já sabia que estava contaminada com o vírus.

Deliberadamente, Layson não abraçou Oliver Júnior, seu filho de um ano de idade, com medo de que uma gota de suor ou uma lágrima pudesse contaminar o garoto.

Quando se deu conta de que estava doente, Layson dormiu na sala e pediu ao marido que não a tocasse.

Layson morreu na noite de sábado, dia 17, e Oliver não pôde se despedir.

O corpo de Layson foi rapidamente colocado em um saco lacrado. A medida visa evitar a contaminação.

A enfermeira, morta aos 33 anos, contraiu o vírus no seu local de trabalho, o Hospital Católico em Monróvia, na Libéria. Ela tocou um colega que havia morrido da doença sem usar luvas.

Na Libéria, país mais afetado pela epidemia de ebola, 75% das mortes são de mulheres, segundo o governo.

Em outros países afetados pelo surto, como Guiné e Serra Leoa, as mulheres também são afetadas desproporcionalmente: são entre 55% a 60% das contaminadas, de acordo com dados da Unicef.

Uma das causas para a desproporção entre os casos de contaminação em homens e mulheres é porque o contingente de enfermeiras e outras profissionais que fornecem os primeiros cuidados aos contaminados com o vírus são do sexo feminino.

O papel das mulheres nesses países também é, segundo reportagem da Foreign Policy um fator determinante para o alto número de casos entre mulheres.

Segundo Marpue Spear, diretora-executiva da Secretaria de ONGs de Mulheres da Libéria, “tradicionalmente as mulheres cuidam mais dos homens do que os homens das mulheres”.

É comum também que essas mulheres cuidem dos doentes em casa e se contaminem com fluidos corporais, como vômito e saliva, em vez de levá-los a centros de atendimento especializados.

Consta em um relatório da Organização Mundial da Saúde, que “as diferenças de exposição ao vírus entre homens e mulheres ao ebola são importantes fatores na transmissão. No entanto, é importante compreender os papeis de cada gênero e as responsabilidades que afetam a exposição [ao vírus] na área afetada”

Dados da Organização Mundial de Saúde, confirmam 1350 mortes por causa da doença. A Libéria é o país com o maior número de casos confirmados (972) e de mortes pelo ebola (576).

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