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20/08/2014 16:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Vítimas de abuso por Roger Abdelmassih tentam agredi-lo em sua chegada ao Aeroporto de Congonhas

WILLIAM VOLCOV/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Vítimas de abuso por Roger Abdelmassih tentaram agredi-lo em sua chegada ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo nesta quarta-feira (20). O ex-médico condenado a 278 anos por violência sexual contra 39 mulheres foi vaiado durante a transferência feita pelas polícias Federal e Civil. Ele chegou ao local usando um colete à prova de balas.

"Ele está entrando preso eu estou saindo livre", disse Vanuzia Lopes Gonçalves, uma das vítimas e criadora da associação que reúne mulheres violentadas pelo ex-médico. Ela diz ter reunido 300 documentos com informações de conta de telefone, endereços e transferências bancárias de Abdelmassih e ter repassado os dados para a polícia a fim de auxiliar nas investigações.

As vítimas afirmaram que, mesmo com novos recursos da defesa, a associação vai continuar a lutar para assegurar que ele seja punido. Elas prometem acompanhar o cumprimento da pena para garantir que o ex-médico não tenha privilégios na prisão.

O criminoso desembarcou em Congonhas por volta das 15h e passou por exame de corpo de delito no próprio aeroporto para que ele não tenha de passar pelo Instituto Médico Legal (IML) antes de ir para o presídio. A expectativa é que seja levado para o presídio de Tremembé, no Vale do Paraíba, a 147 km de São Paulo.

O delegado da Polícia Civil de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, afirmou que Abdelmassih disse estar arrependido, alegou inocência e acredita que irá reverter a situação.

Na saída de Congonhas para penitenciária, as manifestações continuaram. Algumas pessoas chegaram a romper a barreira de contenção feita pela polícia.

Abdelmassih chega a São Paulo sob vaias


Abdelmassih estava preso na sede da Polícia Federal em Foz do Iguaçu (PR) desde terça-feira (19). O trajeto até o Aeroporto Internacional de Foz foi feito de carro e sob escolta policial. Segundo a Folha de São Paulo, Abdelmassih embarcou em um avião da Polícia Federal por volta das 13h20 desta quarta-feira (20).

O presídio de Tremembé abriga outros criminosos de casos conhecidos. Na lista estão Alexandre Nardoni, condenado pela morte da filha Isabella, Lindemberg Alves, condenado por matar a namorada Eloá Pimentel e o jornalista Marcos Pimenta Neves, condenado pelo assassinato da ex-namorada, a jornalista Sandra Gomide.

A polícia civil de São Paulo pretente interrogá-lo sobre mais de 26 ex-pacientes que o acusaram de estupro. A 1º Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) do estado também quer ouvi-lo sobre crimes de manipulação genética. Quatro pacientes relataram problemas na gestação após tratamento em sua clínica. Segundo o telejornal SPTV, um inquérito apura se o médico usou óvulos de outras mulheres que queriam engravidar para aumentar as chances de sucesso do procedimento.

Em nota, os advogados Márcio Thomaz Bastos e José Luis Oliveira Lima afirmaram que a defesa "aguarda o julgamento da apelação interposta perante o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo" contra a decisão que o condenou. A defesa alega que, por isso, a sentença não transitou em julgado, informou o G1.

Relembre o caso

Roger Abdelmassih, de 70 anos, foi preso no início da tarde da última terça-feira (19) em Assunção, no Paraguai, por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas paraguaia e da Polícia Federal brasileira.

Sua prisão foi comemorada pela vítimas. Vanuzia Lopes Gonçalves, conhecida como Vana Lopes, foi violentada pelo médico e ajudou a criar uma associação de vítimas para pressionar e ajudar nas investigações. Na terça-feira (19), ela postou uma texto em seu perfil no Facebook agradecendo o apoio e prometendo receber Abdelmassih no aeroporto para dar "boas vindas para este 'inferno' que ele fez por merecer", diz o post.


O ex-médico foi condenado a 278 anos por 52 estupros e quatro tentativas de abuso contra 39 mulheres. Abdelmassih é especialista em reprodução assistida e tinha em sua lista de clientes muitos famosos na capital paulista, o que lhe rendeu o apelido de "médico das estrelas".

Abdelmassih liderava a lista de procurados da polícia de São Paulo, com direito a uma recompensa de R$ 10 mil por informações que levassem ao seu paradeiro. Na mesma época ele passou a figurar na lista de procurados da Interpol.

O ex-médico estava foragido há três anos. Ele teve o registro profissional cassado em agosto de 2009, mas continuem em liberdade, na época, por ter obtido habeas corpus concedido pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. O benefício foi cassado pelo próprio STF, em fevereiro de 2011.

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