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Marina será candidata à Presidência e PSB quer vice com relação orgânica com partido

16/08/2014 13:56 BRT | Atualizado 26/01/2017 21:52 BRST
EVARISTO SA via Getty Images
Former senator Marina Silva speaks during a press conference in Brasilia on October 4, 2013. The Superior Electoral Court did not authorize the creation of the REDE party whereby Marina Silva would run in the 2014 presidential election. AFP PHOTO / Evaristo Sa (Photo credit should read EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Marina Silva será a candidata do PSB à Presidência, assumindo o lugar de Eduardo Campos, que morreu tragicamente em um acidente aéreo na quarta-feira, e o candidato a vice será um socialista com relação orgânica com o partido e que defenda o projeto do ex-governador pernambucano.

"A Marina já sinalizou que vai assumir a candidatura", disse à Reuters o líder da bancada do PSB na Câmara, Beto Albuquerque, (RS) neste sábado.

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Segundo ele, uma reunião da comissão executiva do partido na próxima quarta-feira definirá também o nome do candidato a vice, que fará chapa com Marina.

Sem entrar numa análise dos nomes, Albuquerque, um dos cotados para assumir o posto, disse que o PSB quer um nome "orgânico do partido, que defenda o legado do Eduardo e que tenha proximidade com a Marina".

Nos últimos dias, foram cotados para a vaga, além de Albuquerque, o coordenador do programa de governo da aliança, Maurício Rands, o ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra e o deputado Júlio Delgado (PSB-MG).

Se a escolha se mantiver entre esses nomes, o favorito para assumir a vaga seria Albuquerque, já que Rands ingressou no PSB somente em outubro passado e antes estava filiado ao PT. Bezerra e Delgado, por sua vez, têm pouca ou nenhum proximidade com Marina, o que os desfavoreceria nessa disputa.

Albuquerque não quis comentar a possibilidade de assumir a vaga.

A decisão sobre a indicação de Marina para a cabeça de chapa foi encaminhada na sexta-feira durante uma reunião informal com membros da comissão executiva do partido.

"O que nós esperamos da Marina é o mesmo tratamento que o PSB deu a ela e à Rede", disse o líder socialista.

Segundo ele, Marina terá que assumir as posições de Campos, assim como o ex-governador tinha assumido as suas quando formaram a aliança. "Os dois se completavam e agora só temos um", disse.

Antes da reunião da executiva no dia 20, deve haver um novo encontro mais amplo na próxima segunda-feira, após o funeral, que deve ocorrer na tarde de domingo, para acertar os detalhes de como será feito esse anúncio da nova chapa. O velório de Campos começa na noite deste sábado, no Recife (PE).

Campos, 49 anos, morreu em um acidente de avião na manhã de quarta-feira no litoral de São Paulo junto a outras seis pessoas que estavam na aeronave.

O avião levava o socialista do Rio de Janeiro a Santos, onde ele cumpriria agenda de campanha, e arremeteu quando se preparava para pousar no aeroporto da cidade vizinha do Guarujá. Em seguida, o controle de tráfego aéreo perdeu contato com o avião.

DESAFIOS

O líder do PSB afirmou ainda que o principal desafio desses primeiros dias após a formalização de Marina como candidata é acertar e afinar o discurso da candidatura, porque já estará em curso o programa eleitoral obrigatório, que começa dia 19, e em seguida haverá os debates televisivos.

"Temos que acertar na veia", disse.

Os dois primeiros programas do PSB na TV, porém, ainda devem ser recheados de homenagens a Campos, que presidia o PSB e era a maior liderança da legenda.

Questionado sobre as dificuldades em alguns palanques regionais, como Rio de Janeiro e São Paulo, onde as alianças com PT e PSDB, respectivamente, foram fechadas sem o aval de Marina, ele minimizou o problema.

"Ela será a candidata do PSB e vai respeitar esses acordos. Onde ela não puder, o vice sobe no palanque", explicou. Em São Paulo, por exemplo, Marina já havia evitado agendas de campanha que podiam contar com a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que concorre à reeleição, e tem o PSB como vice na chapa.

Albuquerque acredita que nesse primeiro momento a candidatura de Marina deve ter um crescimento nas pesquisas, um pouco ainda impulsionadas pela comoção com a tragédia.

"Acho que ela pode aparecer na frente do Aécio inclusive", afirmou, lembrando, entretanto, que apenas isso não será o suficiente. Campos aparecia em terceiro lugar nas pesquisas, atrás da presidente Dilma Rousseff (PT) e de Aécio Neves (PSDB).

"Temos que trabalhar para que isso não seja apenas uma bolha", argumentou.