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15/08/2014 13:53 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Epidemia de Ebola pode levar 6 meses para ser controlada

REUTERS/Tommy Trenchard

Uma zona de guerra cujas fronteiras mudam muito rapidamente e de forma imprevisível.

Um trem que avança em alta velocidade, muito difícil de alcançar.

Uma epidemia que pode estar atingindo um número bem maior de vítimas do que o oficialmente divulgado e que levará pelo menos seis meses para ser controlado.

Esses alertas feitos nesta sexta-feira (15) mostram a gravidade do surto de ebola na África Ocidental.

Tarnue Karbbar, que trabalha para o grupo de ajuda Plan International na Libéria, o país mais atingido pelo atual surto da doença, disse que as equipes de socorro simplesmente não têm capacidade de registrar todos os casos que estão aparecendo. Muitos dos doentes estariam sendo escondidos em casa por seus parentes, temerosos de irem até um centro de tratamento de ebola.

Segundo a mesma fonte, vítimas fatais da epidemia estão sendo enterradas antes que as equipes de socorro cheguem ao local. Nos últimos dias, pelo menos 75 casos foram dignosticados em apenas uma região chamada Voinjama. “Nosso desafio agora é isolar essa área”, afirmou.

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Embora mais centros de tratamento estejam sendo abertos no país, os novos leitos disponíveis são ocupados muito rapidamente, alerta Gregory Hartl, porta-voz da Organização Mundial da Saúde em Genebra, num sinal de que a epidemia possa ser ainda mais severa do que as estatísticas mostram até o momento.

Um exemplo disso é um centro de tratamento com 40 camas recentemente aberto pela ONG Medicina sem Fronteiras que, no entanto, já recebeu 137 pessoas com sintomas de infecção, lotando corredores, informa Joanne Liu, presidente internacional da entidade.

“É extremamente perigoso. Com o fluxo massivo de pessoas com sintomas de infecção que tivemos nos últimos dias, já não conseguimos separar os casos suspeitos dos diagnosticados. Todo mundo está misturado”, afirmou Liu. A entidade pretende oferecer mais 300 leitos nos próximos dias.

“Estamos correndo atrás de um trem que está avançando com muito mais rapidez do que nossa capacidade de resposta”, disse Joanne Liu. Ela comparou a situação nos países afetados a uma zona de guerra em que as fronteiras mudam muito rapidamente e de forma imprevisível.

Segundo a OMS, o número oficial de 1.069 mortos e 1.975 infectados pode “estar muito abaixo da magnitude da epidemia”. Medidas extraordinárias seriam necessárias para conter o surto em regiões caracterizadas por extrema pobreza, sistemas de saúde que não funcionam, falta de médicos e medo por parte da população.

Segundo Hartl, o ebola normalmente é encontrado em regiões do leste e centro da África, em áreas rurais e comunidades isoladas, limitando seu alcance. O atual surto, no entanto, atingiu cidades e as capitais de Guiné, Libéria e Serra Leoa, o que dificulta o controle.

Com informações da Associated Press

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