NOTÍCIAS
14/08/2014 16:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Loja Aquamar nega racismo em atendimento a duas clientes negras no Rio de Janeiro (VÍDEO)


"Isso é um abuso. Eu não vim aqui pra roubar, não. Eu não vim. Eu nunca passei por isso... É uma vergonha. É uma discriminação isso! É porque a minha filha é preta... Eu não vou sair daqui. Eu nunca roubei. Ela [a vendedora] me fez eu botar todas as minhas coisas no chão"

A gravação acima mostra uma senhora exaltada no Bangu Shopping após ser obrigada, segundo ela, a mostrar tudo que havia na bolsa. Ela e a filha, identificada como Thainá Azevedo, foram atendidas na loja Aquamar na segunda-feira (12).

A mãe de Thainá acusa uma funcionária não identificada de racismo.

O vídeo explodiu nas redes sociais, acompanhado de várias condenações da suposta conduta da atendente da loja.

A direção comercial Aquamar nega que tenha havido racismo e diz que condena qualquer atitude preconceituosa e discriminatória.

Entretanto, pelo Facebook, a loja lamentou o episódio e pediu "sinceras desculpas" a todas as clientes.


O caso foi registrado como injúria na 34ª Delegacia de Polícia, em Bangu. Como é crime de menor potencial ofensivo, o Juizado Especial Criminal do Rio já está analisando a ocorrência e marcou a primeira audiência entre os envolvidos.

Procurada pelo Brasil Post, a defesa da Aquamar informa que ocorreu um "mal-entendido". "Houve alguma ação da cliente que despertou a desconfiança da vendedora", contou o advogado Vitor Mattos. "A funcionária solicitou que a acompanhasse até um local mais reservado, e a consumidora já se sentiu ofendida e jogou os pertences no chão", descreveu.

A direção da Aquamar já encaminhou as imagens do circuito de segurança da loja à 34ª DP.

"O racismo não está comprovado; a vítima esteve na delegacia e não registrou qualquer racismo; ninguém teve atitude racista, de credo ou religião", defendeu o advogado.

A Aquamar informa que abriu um procedimento interno para apurar o fato. E afirma que serão tomadas providências caso seja comprovada a discriminação.

LEIA MAIS:

- "Abaixa a bola, pobre!": a intolerância social de 514 anos ainda resiste na "classe dominante" do Brasil

- Sorria, seu racista! Você está sendo filmado por Rashid Polo

- Jornalista com black power revela foto do passaporte aprovada por sistema da Polícia Federal: 'Não vamos nos calar'