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14/08/2014 11:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Comboio russo de ajuda humanitária deve chegar à Ucrânia hoje

ANDREY KRONBERG via Getty Images
Drivers walks past the Russian humanitarian convoy trucks parked on a field outside the town of Kamensk-Shakhtinsky in the Rostov region, some 30kms from the Russian-Ukrainian border, Russia, on August 14, 2014. A massive Russian 'humanitarian' convoy closed in on Ukraine's border today despite doubts over whether the trucks would be allowed across, and as deadly fighting rocked rebel-held strongholds. The nearly 300 vehicles headed towards southeastern Ukraine, even as intense shelling there in the insurgent bastions of Donetsk and Lugansk -- where the trucks appear headed -- sharply increased the death toll from fighting. AFP PHOTO / ANDREY KRONBERG (Photo credit should read ANDREY KRONBERG/AFP/Getty Images)

Deve chegar nesta quinta (14) o comboio de ajuda humanitária que saiu da Rússia em direção à fronteira da Ucrânia na última terça (12).

O anúncio de que a Rússia enviaria 260 caminhões com cerca de 2000 toneladas de carga para ajudar a população da região leste da Ucrânia suscitou a discórdia entre os países envolvidos no conflito.

As potências ocidentais, que acusam a Rússia de armar os separatistas, suspeitam que o comboio seja um "cavalo de Troia": um disfarce para uma operação de desestabilização ou reforços militares para os separatistas.

A Ucrânia declarou que não permitiria a entrada do comboio. "O cinismo dos russos não tem limites. Primeiro nos entregam tanques, terroristas e bandidos que matam ucranianos, e depois nos enviam água e sal". disse o primeiro-ministro ucraniano Arseni Yatseniuk.

Em resposta, a Rússia classificou como "absurdas" as suspeitas de que o país estaria usando um comboio de ajuda humanitária como disfarce para invadir a Ucrânia.

"Continuam expressando a alegação absurda de que o comboio humanitário para ajudar a população civil do sudeste da Ucrânia poderia ser usado como pretexto para 'intervenção militar' russa", disse o ministério nesta quarta (13).

Veja, abaixo, vídeo da CNN com imagens do comboio

As suspeitas se elevaram quando o comboio mudou de rota ontem (13). Antes, os caminhões iriam entrar na Ucrânia pela fronteira de Kharkov, sob domínio do governo.

Ali, como assinala a agência AP, seria muito mais simples que as autoridades ucranianas inspecionassem a carga. Agora, o comboio se dirige para a região de Lugansk, controlada pelos rebeldes.

Em meio à troca de farpas, ainda não se sabe o que acontecerá quando o comboio chegar à fronteira. A Ucrânia e a União Europeia exige que a ajuda seja entregue pela Cruz Vermelha. Funcionários do movimento internacional viajam à região para mediarem as negociações.

Em tom conciliatório, Putin discursou nesta quinta (14) que a Rússia faria de tudo para que o conflito no leste da Ucrânia termine. Ele anunciou ainda que aprovou a criação de uma força-tarefa militar na Crimeia, região do leste da Ucrânia anexada por Moscou em março.

"O Ministério da Defesa preparou... um programa separado para a criação e desenvolvimento das forças militares na Crimeia. Eu aprovei este programa", disse Putin durante visita à península no Mar Negro. "Não vai ser excessiva, não vai ser cara."

A Ucrânia também anunciou que vai enviar seu próprio comboio humanitário para ajudar a população de Donetsk e Lugansk, cidades sob domínio dos separatistas pró-Rússia.

Estão a caminho da região 15 caminhões abastecidos com 240 toneladas de produtos de primeira necessidade.

ESCALADA DE VIOLÊNCIA

O número de mortos no conflito entre o governo da Ucrânia e os separatistas do leste do país praticamente dobrou em duas semanas. De acordo com a última estimativa da ONU, realizada no domingo (10/8), 2.086 pessoas morreram.

Em 26 de julho, o número de mortos desde o início do conflito, em meados de abril, era de 1.129 -- metade do índice atual.

"Isso corresponde a uma clara tendência de escalada (da violência)", disse a porta-voz para Direitos Humanos da ONU, Cecile Pouilly, após ser questionada pela Reuters Em média, mais de 60 pessoas foram mortas ou feridas por dia desde o início do conflito em meados de abril no leste da Ucrânia, disse ela.

Em Lugansk, ao menos 22 civis morreram nas últimas 24 horas. A cidade está sem água e energia elétrica há 12 dias. A região central da cidade de Donetsk também foi palco de intensos ataques.

(Com agências de notícias)