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13/08/2014 14:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Morte de Eduardo Campos: candidato à Presidência era um dos jovens políticos mais promissores do Brasil

ARISTEU CHAGAS/COOFIAV/ESTADÃO CONTEÚDO

A morte de Eduardo Henrique Accioly Camposem um acidente de avião nesta quarta-feira (13), em Santos (litoral de São Paulo), põe fim à carreira de um dos jovens políticos mais promissores do Brasil. Com apenas 49 anos, Campos já havia governado Pernambuco por dois mandatos, foi ministro, deputado federal e estadual.

Eduardo Campos era filho da ministra do Tribunal de Contas da União Ana Arraes com o escritor Maximiano Campos e neto do ex-governador Miguel Arraes, um dos principais ícones da esquerda brasileira, que também faleceu em um dia 13 de agosto, em 2005, aos 88 anos

De família tradicional, Campos era casado com a economista e auditora do Tribunal de Contas de Pernambuco Renata Campos, com quem teve cinco filhos. O mais novo nasceu em 28 de janeiro e foi diagnosticado com Síndrome de Down.

O candidato à Presidência da República pelo PSB se destacou como governador de Pernambuco, para o qual foi eleito em 2006 e reeleito em 2010 com 83% dos votos, uma das maiores votações da história brasileira. Ele renunciou ao cargo no primeiro semestre deste ano para se candidatar à presidência da República.

Antes, foi ministro de Ciência e Tecnologia no Governo Lula e deputado federal no segundo governo deFernando Henrique Cardoso e na primeira gestão de Lula.

Trajetória política

Formado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco, onde entrou aos 16 anos, começou lá sua vida política. Formou-se aos 20 anos como orador da turma e foi presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Economia.

Em 1986, deixou de fazer mestrado nos Estados Unidos para trabalhar na campanha que elegeu seu avô, Miguel Arraes - que retornou ao Brasil em 1979, após 15 anos de exílio - governador de Pernambuco. Campos entrou no PSB, partido pelo qual disputava a Presidência da República, em 1990, quando foi eleito deputado estadual. Em 1994, foi eleito deputado federal, mas se licenciou para exercer o cargo de Secretário de Governo da Fazenda de Pernambuco entre 1995 e 1998.

Em 98, foi reeleito deputado federal, sendo o mais votado do Estado. Em 2002, obteve seu terceiro mandato e atuou na base de sustentação do governo Lula. Teve destaque na articulação das reformas tributária e da previdência. No ano seguinte, foi nomeado por Lula para ministro de Ciência e Tecnologia. Na sua gestão foi aprovada a política industrial e de inovação e da lei que autoriza pesquisa com células-tronco.

Governo de Pernambuco

Em 2005, Campos assumiu a presidência nacional do PSB. No ano seguinte, lançou sua candidatura ao governo de Pernambuco, sendo eleito com 65% dos votos. Em 2010, foi reeleito com 82% dos votos, maior votação proporcional para governador no Brasil naquelas eleições.

Sua gestão no governo de Pernambuco colocou as contas públicas do estado no Portal da Transparência, remodelou a saúde pública e reduziu os índices de violência no país com o programa Pacto Pela Vida. O índice de criminalidade caiu de 27% durante seu governo. No segundo mandato, foram criadas 147 escolas de Ensino Médio de tempo semi-integral. A implementação do ensino integral era uma das bandeiras de campanha.

Em 2009, a Revista Época o considerou um dos 100 brasileiros mais influentes do ano. No ano seguinte, ficou em primeiro lugar duas vezes no Ranking de Governadores do Instituto Datafolha de Pesquisas.

Candidatura à Presidência

Depois de participar da base de sustentação do Governo Lula, Eduardo Campos rompeu em 2013 com o PT para disputar a Presidência da República. Em setembro, o partido entregou os cargos ao governo e deixou clara sua separação com o ex-aliado.

Em outubro de 2013, Campos surpreendeu o cenário político e formou aliança com a também ex-ministra do governo Lula, Marina Silva, que ficou em terceiro lugar na disputa presidencial de 2010. A decisão aconteceu após a Rede Sustentabilidade não ter sido aprovada como partido pelo Tribunal Superior Eleitoral. A aliança foi formalizada em fevereiro de 2014 e Marina vinha com grande destaque na disputa eleitoral.

Durante a campanha, Campos disse que faria reforma tributária na primeira semana de mandato. Ele defendia incentivos à produtividade do país, com controle da inflação, retomada da credibilidade fiscal e incentivo a indústria.

Campos prometeu implementar o ensino integral em todos os estados e viabilizar o passe livre a estudantes. Ele disse diversas vezes que era o único candidato, junto com Marina, capaz de trazer mudança ao Brasil por não representar o modelo de presidencialismo de coalizão exercido pelos governos PT e PSDB.

Na terça-feira (12), em entrevista ao Jornal Nacional, Campos reforçou o desejo de mudança.

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