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12/08/2014 19:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Governador Geraldo Alckmin veta vagão exclusivo para mulheres no metrô e nos trens de São Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), vetou nesta terça-feira (12) projeto de lei que cria um vagão exclusivo para mulheres, apelidado de "vagão rosa", nos trens do Metrô e da CPTM. A proposta havia sido aprovada pela Assembleia Legislativa paulista em 3 de julho, mas recebeu críticas de grupos feministas e de defesa das mulheres.

O embasamento para o veto, além de questões legais e técnicas, considerou o pleito das associações de defesa dos direitos das mulheres, que avaliavam que a proposta representava um retrocesso na luta para ocupação dos espaços públicos e estimulava a segregação, conforme nota do Palácio dos Bandeirantes (sede do governo paulista),

"Desde o início não vi com bons olhos o projeto. Acho que segregar, separar, não parece ser o caminho adequado. Quando a gente ouve mais erra menos. Procuramos ouvir o que as entidades, as mulheres, as lideranças pensam. E confluiu aquilo que nós tínhamos como pensamento, que não seria por lei e nem tampouco fazendo segregação que iríamos resolver esses problemas", afirmou o governador, segundo o G1.

Alckmin, candidato à reeleição, defendeu mais investimento em segurança e prevenção: "Estamos aumentando o número de seguranças mulheres nas estações, Já estamos com 513 mulheres. Em 100% das estações há câmeras com vídeo. Hoje mais da metade dos trens já tem câmeras e todos terão", disse.

O deputado estadual Jorge Caruso (PMDB), autor do projeto, criticou o veto: "O Datafolha fez uma pesquisa e 73% dos entrevistados foram a favor. Alckmin optou pela minoria, e as mulheres continuarão expostas a abusos de todos os tipos num sistema de transporte público caótico", disse Caruso ao Brasil Post.

"Vejo o veto com muita tristeza, mas não tem problema. Vamos derrubá-lo aqui na Assembleia Legislativa", afirmou o deputado peemedebista.

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"Antes de você encoxar a próxima mulher, pense na sua mãe, seu babaca!"

A proposta de um vagão exclusivo para mulheres é polêmica. Segundo reportagem publicada pelo Terra, diversas passageiras disseram que "com certeza" usariam o vagão rosa. Mas mulheres ligadas a movimentos feministas argumentam que a medida não resolve a questão e promove mais segregação.

"A criação de um vagão exclusivo segue a lógica da culpabilização da mulher: a culpa (por um abuso) é dela, da sua roupa, da sua maquiagem. Agora, se acontecer alguma coisa, a culpa vai ser novamente dela se ela não estiver nesse vagão", disse a cozinheira Lia Godoy, 20 anos, do coletivo RUA.

Em março deste ano, o Brasil Post denunciou a existência de um grupo no Facebook chamado "Encoxadores de plantão", que incentivava abusos sexuais no transporte público.

Nas semanas seguintes, surgiram diversas denúncias de abusos nos trens do metrô e da CPTM e a presidente Dilma chegou a se manifestar sobre o assunto. Leia reportagens e artigos sobre o tema no Brasil Post.

Na época, a Delegacia de Polícia do Metropolitano (Delpom) prendeu pelo menos 33 homens que se aproveitavam da superlotação nos meios de transporte para abusar de passageiras.

Atualizado às 21h46.