MULHERES
12/08/2014 10:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

Como a atleta paraolímpica Anne Wafula Strike pode inspirar a todos nós

Em um mês em que o tema é a determinação, estamos falando de pessoas que têm se destacado apesar das grandes adversidades que enfrentam.

E se existe alguém que merece algum destaque, essa pessoa é Anne Wafula Strike.

A atleta paraolímpica nascida no Quênia e radicada na Inglaterra é a primeira corredora de cadeira de rodas a competir pela África Oriental, carrega um broche da MBE (Ordem do Império Britânico), é uma mãe orgulhosa e mentora dedicada.

Aos 45 anos, Anne já viveu muitos altos e baixos, mas a sua coragem, determinação e otimismo pode ensinar algo a todos nós.

Depois de contrair pólio quando tinha apenas dois anos de idade, Anne e sua família foram forçados a sair da comunidade em que viviam por conta dos próprios vizinhos.

Em entrevista ao HuffPost ela relatou que muitas vezes se sentiu alienada (“enquanto minhas amigas usavam saias curtas e saltos altos, eu usava botas ortopédicas”) e lutava para executar até as tarefas diárias mais simples, como andar de uma sala de aula para outra (“a vida tinha um ritmo diferente para mim, eu demorava 40 minutos para andar 100 metros”).

polio

Atualmente, Anne mora na cidade de Harlow e os obstáculos diários não mudaram muito.

Ela foi diagnosticada com paralisia abaixo da vértebra T7 e enfrenta problemas similares aos que sofria no Quênia, como a ignorância das outras pessoas em relação às suas limitações, dificultando o acesso aos prédios e o uso de certos tipos de roupas.

"Quando as pessoas me vêem na minha cadeira de rodas elas logo sentem pena de mim”, disse Anne ao HuffPost UK Lifestyle. "Mas apesar das minha limitações causadas pela pólio, sou movida pela minha determinação”.

No momento, Anne está trabalhando com a organização British Polio Fellowship no intuito de desafiar a forma em que as pessoas encaram a pólio e conscientizá-las sobre síndrome.

Recentemente, ela fez um ensaio com um vestido desenhado especialmente para atender às necessidades de um cadeirante – incrivelmente, esse é o primeiro vestido desenhado com esse propósito.

anne wafula strike

"Muitas lojas falham em atender as necessidades de pessoas com deficiências e limitações físicas”, ela disse ao HuffPost UK Lifestyle. "As jaquetas ficam presas no encosto e as calças ficam presas nas rodas”.

"Eu tenho amor próprio e como mulher, quero me sentir sexy. Eu não quero parecer uma coitadinha em uma cadeira de rodas vestindo um trapo ou um pedaço de pano qualquer”.

Ela disse que com as opções que existem atualmente, muitas vezes é forçada a reformar as peças.

"Eu muitas vezes tenho que encurtar a barra, principalmente de vestidos para usar no verão”, ela revela. “Mas eu não sou costureira e acabo errando na barra às vezes”.

"Isso não deveria acontecer nos dias de hoje”.

Ainda bem que Anne está determinada a mudar o destino das pessoas com deficiências.

Através do seu trabalho como mentora, ela oferece conselhos práticos para pessoas com deficiências e suas famílias.

"Eu trago pessoas com limitações para perto, para ajudá-las. Nós conversamos sobre muitas coisas, desde integração na comunidade até relacionamentos”.

Como atleta de nível global, ela também tem um compromisso em melhorar o acesso ao exercício e a consciência da importância da boa forma.

"Quando eu era mais nova, ninguém sabia o que fazer comigo. Não me incluíam nos esportes e eu passava o tempo extra-curricular na capela tocando o piano."

Foi só quando ela mudou para a Inglaterra e viu uma corrida de cadeirantes na televisão que ela percebeu que essa atividade física era possível.

"Eu vi mulheres lindas nas suas cadeiras competindo na televisão e eu sabia que precisava fazer aquilo”, ela disse.

Então Anne começou a treinar em uma academia que se adequava às suas necessidades, onde ela conheceu os esportes para pessoas com deficiências. Ela passou de uma pessoa que não conhecia nada sobre esse tipo de esporte para um regime de nove a dez treinos por semana, conquistando os recordes Britânicos para os 100m e 200m.

Hoje ela usa as suas conquistas como uma plataforma para inspirar e educar outros.

Mas, de onde vem tanta força e determinação para enfrentar as adversidades?

"Eu estaria mentindo se dissesse que me sinto positiva todos os dias”, ela admite. “Eu tenho três coisas contra mim: sou deficiente, sou mulher e sou negra. Eu poderia facilmente me entregar e chorar, mas eu tento ter uma atitude positiva”.

“Mas eu acho que a minha força vem da minha fé, do meu pai e por ter me tornado mãe”.