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11/08/2014 18:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

Em seu Twitter, adolescente palestina conta sobre cotidiano na Faixa de Gaza

Reprodução/Twitter

Bombas explodem na Cidade de Gaza.

Como qualquer morador da região, a adolescente palestina Farah Baker corre para se refugiar em cantos seguros de sua casa.

E, como qualquer adolescente, não desgruda de seu celular -- nem em tempos de guerra. Durante os bombardeios, Farah posta a angústia de viver rodeada por tragédias em seu Twitter.

Os posts fizeram dela uma sensação nas mídias sociais: antes uma atleta pouco conhecida do colegial, Farah viu seus seguidores saltarem de 800 para 173.000.

Morar perto do Hospital Shifa, onde seu pai é cirurgião, permite a Farah observar, ao vivo e em cores, o vaivém de ambulâncias com vítimas das explosões. Principal centro de saúde da região, o Shifa se tornou um dos principais cenários da tragédia em Gaza, e chegou a ser bombardeado algumas vezes.

Observando os tuítes, é possível espiar um pedaço da guerra que não entra nos números: a vida cotidiana dos moradores da região do conflito.

"Eu acordei hoje sem drones, F16s, ambulâncias e sons de explosões, então eu sorri do fundo do meu coração"


Farah frequentemente posta vídeos das explosões, acompanhados de rápidas impressões da guerra.

"Fumaça pesada vista a partir da minha casa"


No dia 28 de julho - segundo ela, um dos piores de sua vida - ela falou sobre seu medo de morrer. A postagem foi retuitada 17 mil vezes

"Isso está acontecendo na minha área. Não consigo parar de chorar. Eu posso morrer esta noite"

DE GAZA PARA O MUNDO

"Estou tentando contar ao mundo sobre como eu me sinto, e sobre o que está acontecendo onde eu moro", disse Farah à agência Reuters de sua casa na Faixa de Gaza. "E estou tentando fazer com que os outros se sintam como se estivessem passando por essa experiência", completou.

Farah, cuja foto no Twitter mostra assustados olhos azuis de uma jovem mulher, diz estar surpresa com a popularidade que conquistou. "Eu não esperava. Estava escrevendo para um círculo pequeno de pessoas, e o número se tornou enorme", disse à Reuters.

Ler as postagens da garota também ajuda a entender como o conflito entre israelenses e palestinos é complexo.

Ao mesmo tempo em que sofre com a violência em Gaza, Farah diz enxergar o Hamas como um defensor dos palestinos. À Al Jazeera, ela disse ser apoiadora do grupo islâmico.

Vale lembrar que o Hamas, além de lançar foguetes contra o território israelense, é acusado de usar a população de Gaza como escudo humano, impedindo a população de sair de casa e guardando munição em locais próximos a abrigos e escolas.

À Reuters, ela disse que sonha em se tornar advogada, para usar sua profissão como um meio de lutar pela empobrecida e superpopulada Faixa de Gaza, um território entre Israel e o Egito.

"Eu vejo que essa é a única maneira de ajudar Gaza, mostrando o que está acontecendo aqui. Às vezes eu tuíto enquanto estou chorando ou muito assustada, mas digo para mim mesma que não posso parar", contou.

Neste vídeo da NBC, Farah conta sobre como é sentir os ataques tão perto de casa.