MULHERES
10/08/2014 12:23 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Garnier presenteia mulheres soldados de Israel e provoca boicote (FOTOS)

Reprodução/Facebook

Uma foto de um grupo de mulheres do exército israelense incendiou ainda mais a polêmica gerada pelo conflito entre Israel e Palestina.

Na imagem, cinco soldadas, vestidas de roupa camuflada no que parece ser um acampamento militar (há um tanque ao fundo), sorriem para a câmera, rodeadas de dezenas de produtos cosméticos (desodorantes spray e roll-on e gel facial, principalmente) da marca Garnier.

A foto foi publicada originalmente na página de Facebook da Stand With Us, que se define como uma organização sem fins lucrativos que oferece apoio a Israel ao redor do mundo e que busca “combater o extremismo e o antissemitismo”, como afirma em seu site.



No último dia 31 de julho, foram postadas várias imagens no perfil desta rede social, acompanhadas de uma mensagem que afirma:

“Nos sentimos honrados de levar estes itens de beleza feminina a nossas queridas meninas das Forças de Defesa Israelenses. Os pacotes enviados hoje continham milhares de produtos de cuidado pessoal para nossas meninas protetoras de Israel. Elas receberam sabonetes para o rosto e desodorantes minerais para que possam se cuidar inclusive enquanto defendem o país. Queremos agradecer publicamente à Garnier Israel por essa fantástica doação de sabonetes faciais, desodorantes, e desodorantes minerais”.

Em cinco dias, a publicação recebeu mais de 11 mil curtidas no Facebook e foi compartilhada mais de 18 mil vezes. Dos mais de 2,6 mil comentários, muitos apoiam Israel e seus soldados, mas muitos mais expressam repúdio absoluto à Garnier e a sua ação.

Diz um comentário que recebeu mais de duas mil curtidas de outros usuários: “É muito triste. Os palestinos não têm nem sequer o básico. Não têm comida nem água limpa, e dão esse luxo ao Exército de Israel. No que é que o mundo está se transformando?”

A imagem ganhou popularidade rapidamente na internet, acompanhada da tag #boycottGarnier e #boycottIsrael. A polêmica levou muitos a pedir produtos israelenses à venda na Espanha e também da marca de cosméticos, uma empresa de produtos de baixo custo que pertence ao gigante dos cosméticos L’Oréal.

"Acabo de devolver todos os meus produtos. Nunca mais vou comprar Garnier"


"Não dá para maquiar um genocídio, por mais que queiram"


"Porque até mesmo assassinas precisam estar bonitas para matar"


Outro lado

Após a péssima repercussão, a L'Oréal divulgou um pedido de desculpas aos consumidores ofendidos. Um porta-voz da companhia disse ao International Business Times que a iniciativa "partiu de um distribuidor local, direcionada estritamente ao mercado local".

O diretor de comunicação corporativa da Garnier, Kari Kerr, disse que a companhia não apoia a iniciativa e não quer que seus produtos sejam utilizados em nenhuma campanha futura.

Veja o comunicado enviado pela L'Oréal:

A Garnier tem por norma não tomar partido em nenhum conflito, nem em assuntos políticos.

A empresa se viu surpreendida ao descobrir essa iniciativa por meio das redes sociais.

Depois de realizar averiguações, pudemos constatar que se trata de uma ação unilateral realizada por uma empresa local de distribuição, mediante uma remessa pontual de cerca de 500 produtos.

A Garnier desaprova essa iniciativa estritamente local e lamenta que algum de seus consumidores possa ter se sentido ofendido.