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09/08/2014 15:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Dilma repudia ataques em perfis de jornalistas globais, feitos com rede wi-fi do Palácio do Planalto

Montagem/Divulgação/Estadão Conteúdo

A reação provocada pela sabotagem de perfis de jornalistas globais na Wikipédia está batendo na porta da Presidência da República. A presidente Dilma Rousseff falou neste sábado (9) sobre a mudança nos textos sobre Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg, da TV Globo e da CBN, feita por um computador conectado à rede wi-fi do Palácio do Planalto. "Isso é absolutamente inadmissível por parte do Planalto e do governo federal ou por parte de qualquer governo", condenou.

Em caminhada de campanha em Osasco, na Grande São Paulo, a presidente disse que será aberta uma investigação especial do caso, envolvendo a Casa Civil, a Secretaria Geral da Presidência, a Controladoria Geral da União e o Ministério da Justiça. "Acho que é possível descobrir [quem alterou os perfis]", afirmou.

A assessoria do Planalto havia informado, em um primeiro momento, que não era possível "apontar com segurança a identidade" dos responsáveis pelas alterações, uma vez que qualquer usuário com acesso à rede móvel do Planalto poderia ter feito as mudanças.

Ainda na sexta-feira (8), a Secretaria de Administração da Presidência da República publicou nota informando a abertura de procedimento para apurar a ocorrência. O prazo para a apresentação dos resultados é de 60 dias.

Entenda o caso

Reportagem do jornal O Globo desta sexta-feira (8) denunciou o uso da rede de internet do Palácio do Planalto para alterar o perfil dos dois jornalistas globais na Wikipédia. Foram incluídas críticas e difamações aos dois no site colaborativo.

A reportagem de Paulo Celso Pereira afirma que um IP da Presidência da República fez as mudanças em maio de 2013.

Segundo os trechos incluídos direto do Planalto, Míriam Leitão fez análises econômicas "desastrosas" e "pessimistas", além de ter defendido de forma apaixonada o ex-banqueiro Daniel Dantas, condenado por corrupção ativa.

Já Sardenberg foi descrito como crítico dos "cortes de juros promovidos nesses governos [Lula e Dilma]". Sua conduta jornalística foi colocada em xeque com a inclusão da informação de que ele é irmão de Rubens Sardenberg, "economista-chefe da Febraban, instituição que tem grande interesse na manutenção de juros altos no Brasil, uma medida geralmente defendida também por Carlos Alberto Sardenberg em suas colunas".

Míriam e Sardenberg ficaram revoltados com os ataques e desmentiram todas as informações incluídas nos respectivos perfis direto do Palácio do Planalto.

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'Período da ditadura'

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) repudiou as adulterações e divulgou nota demonstrando preocupação com o caso.

"Tais adulterações tiveram claro objetivo de denegrir a imagem dos dois profissionais e devem ser apuradas com rigor pelo Palácio do Planalto", diz a nota da ABI, que considera o episódio "insólito" e "sem precedentes no regime democrático em voga no País".

"É inaceitável e compromete o direito à liberdade de expressão; a intervenção direta da Presidência da República nos remete ao período da ditadura, quando expedientes como estes, ao lado de ações violentas, foram usados para perseguir e silenciar jornalistas críticos ao governo", conclui a nota da entidade.

(Com Estadão Conteúdo)