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08/08/2014 13:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Estados Unidos bombardeiam norte do Iraque para conter avanço do Estado Islâmico (FOTOS)

Ezidi Press

Os Estados Unidos realizaram seus primeiros ataques aéreos contra os militantes do grupo jihadista Estado Islâmico nesta sexta (8), confirmou o Pentágono.

O objetivo dos bombardeios é conter o massacre de minorias religiosas que acontece no norte do Iraque.

Aviões militares americanos lançaram duas bombas guiadas a laser em depósitos usados para armazenar munições e armamentos do Estado Islâmico, que luta com as forças curdas para tomar territórios no norte do Iraque.

Segundo a correspondente Loveday Morris, do Washington Post, os militares têm autorização para realizar ataques aéreos se o governo do Iraque ou as forças curdas do exército Pesh Merga não conseguirem segurar os avanços do EI.

Correspondentes da Rudaw, principal grupo de mídia curdo, relataram que os ataques foram cirúrgicos, e que as forças do Pesh Merga aguardam novos bombardeios.

O presidente Obama autorizou a ofensiva aérea na noite desta quinta (7), junto com uma missão humanitária para socorrer os curdos da minoria yazidi.

Obrigados a deixar suas cidades natais após o avanço do Estado Islâmico, eles passam sede e fome no topo das montanhas do norte do Iraque, onde estão cercados por tropas jihadistas.

Segundo a agência Associated Press, cargueiros americanos entregaram suprimentos de comida e água na região montanhosa.

Yazidis fogem para as montanhas do norte do Iraque


A reação dos iraquianos à intervenção militar foi muito diferente daquela de mais de 10 anos atrás, quando Washington decidiu invadir o Iraque.

"Agradecemos a Barack Obama", disse Khalid Jamal Alber, ministro de Assuntos Religiosos do governo semi-autônomo dos curdos, no norte do Iraque.

"O auxílio chegou bem a tempo", disse um porta-voz do Ministério da Imigração iraquiano.

Nos últimos dias, os extremistas do Estado Islâmico intensificaram a ofensiva iniciada em junho e tomaram 15 cidades do norte do Iraque, uma das áreas de maior diversidade étnica e religiosa do país.

O avanço desencadeou a fuga de mais de 100 mil cristãos e cerca de 40 mil curdos - grupo étnico que vive entre o Iraque, a Síria, a Turquia e o Irã.

França diz estar pronta para agir no Iraque

O presidente da francês, François Hollande, disse nesta sexta que a França está pronta para participar de uma ação para acabar com o sofrimento de civis no Iraque, e planeja conversar com parceiros internacionais com esse objetivo.

"A comunidade internacional não pode ignorar a ameaça representada pelo avanço deste grupo terrorista para a população local, a estabilidade não apenas do Iraque mas de toda região", disse Hollande em comunicado reproduzido pela agência Reuters.

"A França vai examinar com os Estados Unidos e outros parceiros internacionais quais ações podem ser tomadas para acabar com o sofrimento de civis. Estamos prontos a assumir responsabilidade da nossa parte", afirmou o presidente francês.

EUA proíbem empresas áereas americanas de sobrevoar o Iraque

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) disse nesta sexta-feira que restringiu empresas aéreas norte-americanas de sobrevoar o Iraque diante do conflito armado no país, informa a Reuters.

A FAA já havia, em 1º de agosto, restringido os voos de empresas norte-americanas a menos de 30.000 pés (9.100 metros) sobre o Iraque. A medida anunciada nesta sexta reflete "a situação potencialmente perigosa criada pelo conflito armado entre militantes associados ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante e as forças de segurança iraquianas e seus aliados", disse a agência em nota.

A suspensão se aplica a todos os aviões registrados pelos EUA, exceto aqueles operados por empresas estrangeiras, e para pilotos licenciados pela FAA, mas faz uma exceção a voos operados com permissão do governo dos EUA.

A decisão da FAA foi tomada após a queda de um avião da Malaysia Arlines que foi derrubado por um míssil sobre uma área controlada por rebeldes no leste da Ucrânia, matando as 298 pessoas a bordo.

Entenda

O Estado Islâmico é um grupo sunita que surgiu a partir do braço iraquiano da Al-Qaeda, organização fundamentalista islâmica de alcance global responsável pelos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA.

Seu objetivo é criar de um Estado islâmico em uma região situada entre a Síria e o Iraque, que seja regido pela lei Sharia - código muçulmano cuja fonte primária é o Corão.

No dia 29 de junho, o misterioso líder do grupo, Abu Bakr al-Bagdadi, foi proclamado o "califa de todos os muçulmanos" pelo grupo.

O califado, regime político-religioso sunita soterrado há um século com a queda dos otomanos, foi reestabelecido em um amplo território no Iraque e na Síria, conquistado após uma forte ofensiva iniciada em 9 de junho pelo EI, mas não é reconhecido internacionalmente.

Atualizado às 15h27 com novas informações.