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07/08/2014 18:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Obama realiza ataques aéreos ao Estado Islâmico no Iraque, diz NYT; Pentágono nega

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Os Estados Unidos bombardearam ao menos dois alvos no norte do Iraque na noite desta quinta (7/8) para desarticular as forças militares do Estado Islâmico, diz o New York Times.

Autoridades curdas disseram que as bombas atingiram combatentes do EI em duas cidades: Gwer e Mahmour. Na região, ouviram-se buzinas dos carros dos moradores, comemorando o bombardeio, relatou a reporter Alissa Rubin.

O porta-voz do Pentágono, no entanto, negou a informação, dizendo que não houve bombardeio.

Repórteres da Rudaw, grupo de comunicação curdo, relatam que houve ataques aéreos a bases do Estado Islâmico nesta quinta (7)

O objetivo dos ataques é acabar com o cerco a um grupo de cerca de 40 mil curdos que estão presos nas montanhas do Curdistão, depois de terem sido obrigados a fugir de suas cidades natais por causa da ofensiva militar do Estado Islâmico.

Segundo o jornal americano, em reunião com sua equipe de segurança nacional, Obama ponderou uma série de opções. Entre as possibilidades, estariam desde jogar suprimentos humanitários na região até atacar os combatentes do EI que estão na base das montanhas.

CONTEXTO

Nesta quinta, o grupo radical Estado Islâmico (EI) anunciou ter tomado quinze cidades no norte do Iraque, ampliando sua teia de poder na região próxima à fronteira com a Síria.

O avanço, iniciado em junho, desencadeou a fuga de milhares de cristãos e de curdos - grupo étnico separado que vive entre o Iraque, a Síria, a Turquia e o Irã.

Entre as cidades tomadas pelo Estado Islâmico, está Qaraqosh, a maior cidade cristã do Iraque. De acordo com autoridades da região, cerca de 100 mil cristãos fugiram após a tomada de poder, temendo serem mortos ou obrigados a se converterem ao islã.

Testemunhas em Qaraqosh disseram ter visto militantes do EI colocando fogo em igrejas e cruzes, reporta agência AP.

No fim de semana, as forças curdas não conseguiram conter o avanço do Estado Islâmico na cidade de Sinjar e tiveram de fugir. Ali, vivia uma comunidade yazidi - ramo curdo ligado ao zoroastrismo. Por suas crenças religiosas, os yazidi são categorizados pelo Estado Islâmico como "adoradores do diabo".

Acuados, os yazidis fugiram para áreas montanhosas na região autônoma do Curdistão, onde ficaram presos, cercados sem alimentos e água. Segundo relatos da correspondente Loveday Morris, do Washington Post, muitas crianças morreram de sede durante a fuga.

Este vídeo da BBC mostra a grupos de curdos fugindo pelas montanhas.

ENTENDA

O EI é um grupo jihadista que surgiu a partir do braço iraquiano da Al-Qaeda, organização fundamentalista islâmica de alcance global responsável pelos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA.

O movimento ganhou corpo quando sunitas descontentes com a administração xiita do Iraque e o governo alauíta da Síria começaram a enxergar as ações do EI com simpatia.

Seu objetivo é criar de um Estado islâmico em uma região situada entre a Síria e o Iraque, que seja regido pela lei Sharia - código muçulmano cuja fonte primária é o Corão.

No dia 29 de junho, o misterioso líder do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Bagdadi, foi proclamado o "califa de todos os muçulmanos" pelo grupo.

O califado, regime político-religioso sunita soterrado há um século com a queda dos otomanos, foi reestabelecido em um amplo território no Iraque e na Síria, conquistado após uma forte ofensiva iniciada em 9 de junho pelo EI.

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