NOTÍCIAS
06/08/2014 18:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Cresce o número de mortos no surto de Ebola; Espanha vai tratar padre infectado e Arábia Saudita anuncia morte em hospital do país

Sunday Alamba/Associated Press

Nesta quarta-feira (6), a Arábia Saudita informou que um homem saudita morreu de "febre hemorrágica viral" em um hospital em Jeddah após retornar de uma viagem de negócios a Serra Leoa, um dos quatro países africanos que vivem um surto de Ebola. Já a Espanha anunciou que um avião-hospital repatriará um padre espanhol infectado na Libéria para receber tratamento na capital espanhola. Este seria o primeiro caso de um paciente europeu.

Esses dois novos casos elevam os temores de que o surto de Ebola se alastre para outros países fora do oeste da África, onde o número de mortos no pior surto de Ebola no mundo subiu para 932, depois que 45 pacientes morreram entre 2 e 4 de agosto, segundo informou a Organização Mundial de Saúde (OMS) em um comunicado nesta quarta. Os números da OMS não fazem menção ao caso da Arábia Saudita, ainda a ser confirmado pela entidade. Veja infográfico sobre os sintomas da doença e como acontece a infecção pelo vírus Ebola.

Com 108 novos casos suspeitos, prováveis ​​ou confirmados no mesmo período, o número total de pessoas infectadas chega a 1.711.

Das mortes recentemente notificadas, 27 foram na Libéria, que teve 516 casos e 282 mortes pela doença desde que o surto começou, em fevereiro. A Guiné, onde foi identificado o primeiro foco, teve 10 novos casos e 5 mortes, enquanto em Serra Leoa, 45 novos casos aumentaram o número total para 691, com 13 mortes recentemente notificadas, elevando o número de mortos no país para 286.

Na Nigéria, o quarto país a ser afetado, o número de casos suspeitos subiu de 4 para 9. Os dados da OMS incluem uma morte na Nigéria, de um homem que passou mal ao chegar no país de avião, em um voo que saiu da Libéria, via Gana e Togo. Uma enfermeira que tratou dele também morreu, disse o ministro da Saúde da Nigéria nesta quarta-feira.

Tratamento experimental nos EUA

Nos Estados Unidos, dois trabalhadores de ajuda humanitária norte-americanos infectados na Libéria estão recebendo tratamento com uma droga experimental. Segundo a agência Reuters, a OMS afirmou nesta quarta que vai considerar as implicações de tornar esses tratamentos acessíveis mais amplamente.

LEIA TAMBÉM

Dois pacientes foram curados por tratamento altamente experimental de Ebola, diz CNN

A OMS, que realiza encontro de dois dias de um comitê emergencial de especialistas para decidir a resposta internacional ao surto, disse que deverá promover um encontro de especialistas em ética médica na próxima semana. "Estamos numa situação incomum neste surto. Temos uma doença com uma alta taxa de mortalidade sem nenhum tratamento ou vacina comprovados", disse a diretora-geral-assistente da OMS, Marie-Paule Kieny, em comunicado. "Precisamos pedir aos especialistas em ética orientação sobre qual é a coisa responsável a se fazer agora."

O comunicado da OMS diz que o padrão "ouro" para avaliação de novos medicamentos envolve uma série de testes em humanos, começando em pequena escala para garantir que o medicamento é seguro, e que o princípio orientador é o de "não fazer mal". Não há vacina ou remédio registrado contra o vírus, mas há várias opções experimentais em desenvolvimento.

O tratamento dado a dois trabalhadores norte-americanos da área médica consiste em proteínas chamadas anticorpos monoclonais, que se amarram ao vírus do Ebola e o desativam. Esse tratamento só havia sido testado em animais de laboratório. Na terça-feira, três dos maiores especialistas do mundo em Ebola pediram que remédios e vacinas experimentais sejam dados a pacientes com a doença e disseram ser necessária uma resposta internacional mais forte.

A OMS tem sido criticada por uma resposta lenta ao surto de Ebola, o maior em quase quatro décadas de história da doença. O Comitê de Emergência reunido nestas quarta e quinta-feira também deverá decidir se o surto constitui uma emergência de saúde pública de alcance internacional e, em caso afirmativo, o que fazer sobre isso.

A diretora-geral da organização, Margaret Chan, esboçou uma ação tripla: intensificação das medidas nos quatro países afetados, medidas para reduzir a propagação internacional, e o tratamento de uma área da África Ocidental como um "setor unificado".

Essa área -na fronteira de Serra Leoa, Guiné e Libéria- estaria sujeita a "medidas de saúde pública destinadas a reduzir o movimento dentro e fora da área", segundo nota da OMS.

Com informações da Reuters.