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06/08/2014 20:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Candidata precisa comprovar que é virgem para participar de concurso da Secretaria de Educação de São Paulo

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Causou revolta nas redes sociais a reportagem do IG nesta quarta-feira (6) que apresentava o caso de uma mulher de 27 anos que precisou de um ‘comprovante de virgindade’ para preencher um dos requisitos de um concurso da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo (SEE-SP). Já a pasta nega e diz que o próprio uso do termo é equivocado.

Segundo a matéria, Luísa* teve de obter junto a um médico particular um atestado que comprovasse que “não houve ruptura himenal”, ou seja, ela não teve o hímem rompido, atestando a sua virgindade. “Foi constrangedor explicar para a médica que precisava de um atestado de virgindade para poder assumir uma vaga em um concurso”, disse a mulher ao IG.

O concurso em questão é para o cargo de Agente de Organização Escolar da seleção pública da SEE-SP. Constam como exames exigidos às mulheres participantes o de colposcopia e o de colpocitologia oncótica, o Papanicolau (veja o edital do concurso aqui). O trecho polêmico foi divulgado posteriormente, em novo comunicado repassado aos candidatos aprovados.

“Candidatas com menos de 25 anos que não possuem vida sexual ativa, deverão apresentar declaração de seu médico ginecologista assistente”, diz o trecho do documento, que você pode ver aqui. Para Maria Izabel Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), a simples menção a um atestado de virgindade é vergonhosa.

“Atestado de virgindade? Por favor! Estamos em pleno século XXI. Querem evitar candidatas doentes? A verdade é que elas entram com saúde e é a falta de condições da rede que as deixam doentes”, comentou.

Nas redes sociais, a chuva de críticas - e ironias - foi inevitável.

Ao IG, o Departamento de Perícia Médica do Estado (DPME), indicado pela SEE-SP para falar do caso, informou em nota que é “absolutamente errado afirmar que é exigido à candidata a cargo público qualquer laudo, ou suposto 'comprovante de virgindade' – termo sequer considerado na literatura médica”.

“Àquelas que ainda não tenham iniciado atividade sexual, é oferecida como alternativa a apresentação de um relatório de seu médico pessoal; e com isso não há a necessidade da realização dos exames”, completou o comunicado.

E quanto à candidata que passou por tamanho constrangimento, ela ainda aguarda ser chamada para assumir o posto. Mesmo depois de tanta humilhação.

* O nome verdadeiro da candidata foi preservado