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06/08/2014 15:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Acusados de estupro, policiais são presos e deverão ser expulsos pela PM do Rio de Janeiro

PAULO ARAÚJO/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Quatro policiais militares do Rio de Janeiro deverão perder o direito de usar a farda da corporação em breve. É o que garantiu o secretário estadual de segurança do Rio, José Mariano Beltrame nesta quarta-feira (6). O quarteto, pertencente à Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Jacarezinho, na zona norte da capital fluminense, já está preso, acusado pelo estupro de três mulheres na comunidade.

Em nota, Beltrame pediu "desculpas às vítimas e aos familiares por um crime que causa repulsa", adicionando que pedirá a “expulsão sumária” dos envolvidos. É mais um caso que se soma a outros recentes, como os casos Amarildo e Cláudia, que ganharam o País e tiveram o envolvimento de PMs em comunidades carentes do Rio. Os recentes problemas nas UPPs também não são novos, como o Brasil Post já abordou no primeiro semestre deste ano.

Os soldados Gabriel Machado Mantuano, Renato Ferreira Leite, Wellington de Cássio Costa Fonseca e Anderson Farias da Silva, todos da UPP do Jacarezinho, foram identificados e presos em flagrante na noite desta terça-feira (5) pelo 25ª DP (Engenho Novo), que investiga o caso. Anderson Farias da Silva também foi indiciado por roubar o celular de uma das vítimas. A Polícia Civil tenta agora identificar outros dois PMs da UPP que também teriam participado do crime.

Segundo o boletim de ocorrência, três mulheres (de 16, 18 e 35 anos) foram à delegacia e contaram à polícia que foram até o Jacarezinho para "resgatar" a irmã da mais velha, que seria usuária de crack. Não conseguiram e foram visitar uma amiga; na casa, foram surpreendidas por seis PMs, que teriam perguntado por drogas e as agredido. As mulheres foram levadas então para um barraco e violentadas por 20 minutos.

UPPs: os desafios do presente e do futuro

Segundo a Polícia Civil, as vítimas procuraram a delegacia logo após o crime. Prestaram depoimento e fizeram exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). A casa indicada pelas vítimas foi periciada e, lá, foi colhido material para exame de DNA (um dos PMs não teria usado preservativo).

Em nota, a PM informou que "está colaborando ao máximo para a apuração da gravíssima denúncia. Se for comprovado o envolvimento de policiais militares em um caso de violência sexual contra três mulheres, as medidas adotadas serão rigorosas, incluindo prisão e possível expulsão". “O comando da PM lamenta o episódio e repudia este crime bárbaro, ressaltando que em nada condiz com o comportamento que se espera de um policial", concluiu em nota.

Durante toda a terça-feira, de acordo com a polícia, cerca de 60 PMs da UPP do Jacarezinho, que estavam de plantão na madrugada do crime, foram apresentados na 25ª DP pela Delegacia de Policia Judiciária Militar (DPJM). Sem especificar nomes, a Corregedoria da PM informou que um dos quatro PMs presos confirmou o estupro. Segundo a Corregedoria, dois dos presos se negaram a falar, outro disse que não estava no momento e outro negou ter participado, mas confirmou o crime.

Como neste momento ainda integram o quadro da PM, os militares inicialmente vão responder pelo artigo 232 do Código Penal Militar (constranger mulher a conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça), além de abuso de autoridade.

(Com Estadão Conteúdo)