NOTÍCIAS
04/08/2014 18:45 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Alckmin nega racionamento em SP, elogia PM e não garante tarifa do metrô a R$ 3,00 em 2015

ALICE VERGUEIRO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O governador de São Paulo e candidato à reeleição pelo PSDB, Geraldo Alckmin, disse nesta segunda-feira (4), na primeira entrevista da série Entrevistas Estadão, que não há racionamento de água no Estado e que a Sabesp está preparada para manter o abastecimento. O tema foi um dos polêmicos abordados pelo governador durante o encontro, realizado na capital paulista.

Alckmin disse que o governo fez investimentos "vultosos" para garantir o abastecimento ao longo dos próximos anos e disse que há exploração política da crise hídrica. O governador ressaltou a gravidade da estiagem que o Estado enfrenta e a maneira como o Estado e a empresa de água vêm enfrentando a crise.

Nas palavras de Alckmin, a "Sabesp e o governo mostraram capacidade técnica" no enfrentamento da estiagem. Segundo Alckmin, muitas cidades nesta mesma situação não teriam água e São Paulo, "cidade de 22 milhões de habitantes e a 700 metros de altitude", mantém o abastecimento.

"Não há necessidade nem é tecnicamente adequado", disse o governador sobre o racionamento, explicando que a retirada de água da tubulação desgasta o sistema. "Estamos preparados para chegar até o começo do ano que vem", afirmou.

Outro tema polêmico diz respeito ao eventual aumento da tarifa do metrô em 2015, caso Alckmin seja reeleito. O tucano procurou não especular, mas não pôde dar garantias da manutenção do preço a R$ 3,00. Ele afirmou que um futuro aumento na tarifa de trem e metrô no Estado dependerá da taxa de inflação no País.

Alckmin foi questionado mais especificamente sobre futuros aumentos na tarifa que desencadeou os protestos de junho de 2013. "Não há nenhuma previsão de aumento", respondeu. Quando o interlocutor insistiu em saber se a previsão se estendia para 2015, ano pós-eleitoral, o governador não se comprometeu. "Não posso garantir que não vai ter mais. Depende da inflação".

Em sua resposta, Alckmin fez questão de ressaltar seu "compromisso com transporte de alta capacidade e qualidade para a população" e enumerou investimentos no setor ao longo dos últimos governos tucanos no Estado.

Segurança pública e outras polêmicas

Geraldo Alckmin também respondeu a respeito do que pensa sobre as drogas. Ele se mostra contrário a qualquer legalização das drogas, já que não há, segundo ele, dados que comprovem a eficácia da medida no combate ao tráfico. "Não tenho nenhuma convicção de que a legalização possa melhorar (a situação)", disse Alckmin antes de criticar o governo federal, lembrando que o controle de fronteiras é fundamental para que se combata o tráfico de drogas nos Estados. "O Brasil é o maior consumidor de cocaína e crack do mundo, mas o Brasil não produz", afirmou.

O governador disse ainda que o trabalho desenvolvido pela Prefeitura de São Paulo com o programa Braços Abertos é "muito louvável". O programa, comandado pelo petista Fernando Haddad, dá oportunidade de trabalho a usuários de crack que vivem nas ruas de São Paulo. "Dependência química é doença como é pneumonia", disse, para justificar a necessidade de tratamento e ressaltar os investimentos do governo do Estado na recuperação de dependentes.

Alckmin defendeu o trabalho da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e da Polícia Militar durante o seu governo. Ele disse não ter nenhuma informação sobre possíveis abusos de policiais durante as manifestações registradas no Estado desde o ano passado, e garantiu que “todos os casos” são apurados. O governador comentou ainda “não fazer sentido” acreditar em provas plantadas pela PM contra qualquer pessoa, algo ventilado em algumas recentes prisões. "(A PM de SP) é a menos letal do Brasil", sentenciou.

Cenário eleitoral

Alckmin afirmou que só tem um candidato à Presidência da República nestas eleições: o correligionário Aécio Neves. Essa foi a resposta do candidato ao ser indagado sobre o fato de que o vice em sua chapa é Márcio França, presidente estadual do PSB, partido do presidenciável Eduardo Campos.

Depois de fechar essa aliança na corrida à reeleição, Alckmin vem sendo questionado sobre a participação do PSB em sua chapa, principalmente porque alguns candidatos da legenda têm usado o nome do governador junto ao do presidenciável Eduardo Campos em material de campanha. Mesmo com esses questionamentos, Alckmin reiterou que seu candidato é Aécio Neves.

(Com Estadão Conteúdo)

LEIA TAMBÉM

- Ibope: Geraldo Alckmin lidera com folga e venceria eleições no primeiro turno em São Paulo

- MPF pede ao governo de São Paulo o racionamento imediato no Sistema Cantareira