MULHERES
03/08/2014 09:03 -03 | Atualizado 25/12/2017 12:18 -02

8 maneiras de saber se você é uma pessoa que realmente pratica a compaixão

Esta é palavra-chave para viver melhor consigo e com os outros.

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Compaixão: você pratica ela no seu dia a dia?

Com tantas pesquisas e ferramentas de autoajuda que visam a ajudar a viver com mais alegria, é evidente que a busca da felicidade está na moda. Mas qual é a melhor maneira de chegar lá?

O Dalai Lama disse certa vez: "Se você quer que outros sejam felizes, pratique a compaixão. Se você quer ser feliz, pratique a compaixão." Suas palavras captam uma verdade simples: apesar de ideia popular de que a felicidade depende unicamente de você, o caminho para conquistá-la talvez não esteja apenas em você, mas em seus relacionamentos e interações com outras pessoas.

"Quando temos sentimentos de amor ou afeto por outras pessoas, nos sentimos melhor", diz ao HuffPost a psicóloga clínica Lise Firestone, que é PhD. "Todos pensamos que queremos ser amados, mas o que nos faz sentir bem, na realidade, é amar. E parte do que nos faz sentir mais amor pelos outros é fazer coisas gentis e compassivas por eles."

A boa notícia é que, se você não costuma se enxergar como alguém dotado de muita empatia, estudos mostram que esse é um hábito que pode ser cultivado.

Como saber se você é compassivo ou não? Veja abaixo oito sinais de que você é uma pessoa que verdadeiramente tem compaixão:

Você encontra pontos em comum com outras pessoas.

As pessoas compassivas sabem como é estar passando por maus bocados. Elas mantêm essas experiências em mente para desenvolverem uma natureza mais empática, através de trabalho voluntário ou simplesmente mantendo contato com outros. "As pessoas compassivas são muito voltadas para fora, porque elas pensam sobre outras pessoas e se interessam por elas", diz Firestone. "Possuem o dom de sentir os sentimentos dos outros. São socialmente sintonizadas."

E há uma razão científica pela qual sentimos compaixão por pessoas que já estiveram em nossa situação. Em um estudo pequeno, pesquisadores descobriram que o sentimento de compaixão aumenta quando existe uma conexão em comum com a outra pessoa. "O que esses resultados mostram é que a compaixão que sentimos pelos outros não surge apenas em função do que acontece com eles: se nossa mente traça uma associação, mesmo que relativamente trivial, entre uma vítima e nós, a compaixão que sentimos pelo sofrimento dela é fortemente ampliada", escreveu no The New York Times o pesquisador do estudo e professor de psicologia David DeSteno, Ph.D., da Northeastern University.

Você não dá ênfase ao dinheiro.

Se o dinheiro não compra a felicidade, segundo estudos da Universidade da Califórnia em Berkeley, também não compra a compaixão. Em um estudo, pesquisadores descobriram que, à medida que uma pessoa ascende de classe social, sua compaixão pelos outros diminui. De acordo com a Scientific American, a descoberta corroborou pesquisas anteriores que mostraram que o fato de fazer parte de uma classe social mais alta também influi sobre a capacidade de uma pessoa de prestar atenção em interações com outras pessoas.

Você age movido pela empatia.

Firestone diz que um elemento principal da compaixão é o fato de se doar, mesmo que seja de maneiras pequenas. "Quando realizamos atos amorosos e afetivos, sentimos que recebemos mais amor de volta", ela explica. É por isso que as pessoas compassivas agem movidas pela gentileza, quer seja atuando como voluntárias ou como simples ombros amigos, e, de modo geral, são mais felizes por isso. "Se você busca a felicidade, não será tão feliz quanto seria se procurasse ser generoso", fala a psicóloga. "Procurar a felicidade de modo hedonista não funciona bem para a maioria das pessoas."

Você é gentil com você mesmo.

"A compaixão por si mesmo é realmente fundamental para tornar-se uma pessoa mais compassiva de modo geral", Firestone pondera. "É difícil sentir pelos outros algo que não sentimos por nós mesmos."

Praticar o amor por si mesmo, que, segundo a psicóloga, não é exatamente a mesma coisa que a autoestima, também é fundamental para superar maus hábitos em outros aspectos de nossa vida. "Muitas vezes pensamos que para superar os maus hábitos temos que ser autocríticos. Mas ser compassivo com você mesmo é na realidade o primeiro passo para modificar qualquer comportamento que você queira mudar", diz Firestone. E a ciência comprova sua afirmação: segundo um estudo feito pela Universidade da Califórnia em Berkeley, as pessoas que praticam a autocompaixão são mais motivadas para aperfeiçoar-se e sair em busca de suas metas.

Você ensina outras pessoas.

As pessoas compassivas não querem guardar seus dons apenas para elas mesmas – querem compartilhar seus conhecimentos com outros. A autora e palestrante motivacional Jen Groover observa que é esse desejo que está à raiz de todos os hábitos empáticos. "A compaixão verdadeira existe quando você doa sua força, orientação e sabedoria para empoderar outra pessoa, para que ela possa realmente enxergar quem é e vivenciar uma capacidade maior, e você o faz sem esperar nada em troca. A graça verdadeira existe quando os 'mestres' percebem que o dom na realidade era deles – o dom de poder ensinar outros."

Você pratica a atenção consciente.

Quando você exerce a compaixão, você se coloca no momento. As pessoas compassivas não ficam ouvindo e ao mesmo tempo checando seu smartphone. Elas estão presentes, oferecendo sua reação empática ao que está acontecendo ali, diante delas.

Essa atenção consciente é crucial para a compaixão, porque lhe permite realmente focar sobre o outro, em vez de focar sobre suas próprias reflexões. "A atenção consciente nos permite desenvolver uma relação diferente com nossos sentimentos", Firestone explica. "Os sentimentos e pensamentos podem se manifestar, mas com a atenção consciente podemos enxergá-los como nuvens passageiras, nada mais. Não se deixar enredar em seus pensamentos é algo que realmente ajuda."

Você possui grande inteligência emocional.

As pessoas sintonizadas com sua compaixão também parecem estar sintonizadas com suas emoções. "É em parte ser capaz de perceber o que se passa na sua cabeça e na cabeça dos outros", Firestone explica. "Acho que quando somos capazes disso, podemos sentir mais compaixão em relação às outras pessoas."

Quando você é emocionalmente inteligente, também possui um senso moral mais elevado e tenta genuinamente ajudar os outros, e tudo isso são elementos cruciais da empatia. As pessoas compassivas, diz Firestone, "entendem que o outro possui mente soberana que enxerga o mundo de modo diferente que o seu, e que não há um modo que seja certo e outro que seja errado".

Você expressa gratidão.

"Fazer coisas que nos iluminam e permitem que nos sintamos bem – as pessoas pensam que isso é egoísmo, mas muitas vezes nos leva a ter um comportamento melhor em relação aos outros", Firestone reflete. Uma maneira de fazer isso é contar os pontos positivos.

Você pode ter cometido muitos ou poucos atos compassivos na vida, mas é provável que tenha sido receptor de atos compassivos pelo menos uma ou duas vezes. Os indivíduos empáticos reconhecem esses atos de gentileza que lhes foram feitos e expressam gratidão por eles. "Basta pensar na gratidão que sentimos a outros para nos sentirmos felizes", diz a psicóloga. "E desacelerar e exprimir esse tipo de coisa nos torna mais amorosos e gentis."