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31/07/2014 08:01 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Credor diz que Argentina optou por dar calote; Cristina Kirchner falará às 18h

REUTERS/Marcos Brindicci

A Argentina recusou todas as propostas apresentadas no processo de negociação sobre sua dívida e escolheu dar o calote, afirma um comunicado do NML Capital, fundo do bilionário de Wall Street, Paul Singer, e o que mais tinha recursos a receber da Casa Rosada, conforme a sentença da Suprema Corte dos Estados Unidos. "Aceitamos muitas das propostas criativas apresentadas pelo mediador", afirma o porta-voz do NML no comunicado enviado na madrugada desta quinta-feira, acusando a Argentina de ter recusado de "considerar seriamente" todas elas. O mediador em questão é o advogado Daniel Pollack, designado pelo juiz federal Thomas Griesa para cuidar das negociações entre a Argentina e os credores norte-americanos. Ontem venceu o prazo para a Argentina pagar US$ 1,3 bilhão a estes fundos. Só o NML teria cerca de US$ 800 milhões a receber.Pollack e o NML afirmam que a Argentina entrou em default desde a tarde da quarta-feira, mas o país não reconhece o calote, segundo declarações do ministro da Economia, Axel Kicillof, dadas no início da noite desta quarta-feira. "Calote é quando não se paga e a Argentina paga e vai continuar pagando", afirmou a jornalistas, ressaltando que o país depositou US$ 830 milhões no final do mês de junho para pagar os credores que aderiram às reestruturações da dívida de 2005 e 2010, mas Griesa impediu que os bancos repassassem o pagamento aos fundos. Além disso, depositou recentemente US$ 650 milhões para pagar dívidas ao Clube de Paris, disse o ministro.

Pronunciamento de Cristina

O chefe de gabinete da Argentina, Jorge Capitanich, afirmou nesta quinta, durante uma coletiva de imprensa, que a presidente Cristina Kirchner fará um pronunciamento às 18h (de Brasília), no qual ela deve abordar a disputa com fundos credores e a reestruturação da dívida do país.

No início da noite da quarta-feira, se falava da possibilidade de bancos privados argentinos assumirem a dívida dos fundos norte-americanos, por meio de uma operação de compra de títulos e, assim, evitar o calote. O próprio ministro Kicillof destacou esta possibilidade na entrevista à imprensa. Com isso, as negociações passariam a ser entre os argentinos e esses bancos, mas rumores no final da noite de quarta davam conta de que as conversas não avançaram.

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Impacto nos mercado deve ser limitado

O impacto do "default iminente" da Argentina deve ser limitado, segundo analistas. "Os investidores estão esperando para ver quem vai salvar a Argentina, quem vai reestruturar a dívida para que o país possa voltar a ficar em pé", afirmou Thina Saltvedt, analista do Nordea Bank. Contudo, um contágio da situação da Argentina para outros mercados deve ser limitado, segundo Steve Ellis, gerente de carteira da Fidelity Worldwide Investment. "A Argentina estava isolada dos mercados de capital internacionais há anos, então não esperamos que o default distorça os fluxos globais", disse.

O economista da Capital Economics Neil Shearing também prevê que a reação dos mercados será pequena. "Os efeitos econômicos e financeiros não chegarão nem perto de ter a gravidade que tiveram depois do default de 2001", afirmou. Shearing observou que esse default já era esperado e que, embora o balanço do país seja frágil, o ônus da dívida externa é bem menor do que era em 2001.

"É difícil avaliar a reação do mercado nesse momento, mas, apesar de nós esperarmos que os yields dos bônus subiam e as ações e o peso argentinos sejam pressionados nos próximos dias, muito do impacto pode já ter sido embutido nos preços", acrescentou Shearing.

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