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29/07/2014 17:49 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Vacina contra hepatite A será oferecida nos postos de saúde brasileiros

Guilherme Bressan/Estadão Conteúdo

A vacina contra a hepatite A será incluída no calendário de imunização infantil neste mês. A decisão foi anunciada pelo Ministério da Saúde um dia após o Dia Mundial de Luta contra Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho. A meta é imunizar 95% do público-alvo, cerca de três milhões de crianças entre um ano e um ano e onze meses, contra a doença infecciosa aguda que afeta o fígado.

Foram distribuídas 1,2 milhão de doses para as secretarias estaduais de saúde até agora. Outros lotes serão encaminhados ao longo de 2015. Foram gastos R$ 111 milhões na compra de 5,6 milhões de doses neste ano. A princípio, será aplicada apenas uma dose da vacina. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, irá monitora a situação da doença do país para definir se será necessária a inclusão de uma segunda dose.

A data de início da vacinação será definida em cada estado. Segundo informações do portal de notícias G1 , a vacina está disponível em onze estados (Acre, Rondônia, Alagoas, Ceará, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Goiás, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul) e Distrito Federal. Em agosto, a serão incluídos mais doze estados (Amazonas, Amapá, Tocantins, Bahia, Paraíba, Rio Grande do Norte, Sergipe, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Pará e Santa Catarina). Os estados de Roraima, São Paulo e Paraná irão disponibilizar a vacina em setembro.

A fórmula é resultado de uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) entre o Ministério da Saúde, o laboratório Merck Sharp e o Instituto Butantan. A transferência completa da tecnologia para o Brasil está prevista para 2018. Agora, o Brasil passa a oferecer todas as 14 vacinas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Contaminações em queda

Apesar de ainda ser considerada uma região de risco, o número de casos identificados de hepatite A tem diminuido no Brasil desde 2006. No ano passado, foram registrados 3,2 ocorrências para cada 100 mil habitantes. A maioria (55,8%) se concentra nas regiões Norte e Nordeste. A principal forma de contágio da doença é por contato entre com pessoas infectadas, água ou alimentos contaminados, de modo que está diretamente relacionada às condições de saneamento básico.

Com a inclusão da vacina, a estimativa é reduzir os casos da hepatite A em 64% e o número de mortes em 59%. Entre 1999 a 2012, morreram 761 pessoas no país em decorrência da doença. Na forma aguda, a doença pode levar a hospitalização ou a morte em 2% a 7% dos casos graves.

Para o ministro da Saúde, Arthur Chioro, a novidade representa um avanço para a melhoria da saúde da população. “Já houve uma redução significativa da circulação viral da hepatite A no país, com a melhoria das condições sanitárias. Com a vacinação das crianças, grupo mais vulnerável e exposto à doença, podemos diminuir ainda mais a circulação deste vírus”, declarou.

De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, a inclusão da vacina ocorre dois anós após recomendação da Conitec, comissão criada para coordenar a incorporação de novas tecnologias. Chioro atribuiu a demorar à consolidação da Parceria de Desenvolvimento Produtivo. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério, Jarbas Barbosa, alegou que foram necessárias mudanças na logística. “Tivemos de fazer uma investimento de R$ 50 milhões para rede de frio, responsável pelo armazenamento dos remédios”, afirmou.