NOTÍCIAS
29/07/2014 15:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Candidato do PMDB, Paulo Skaf, usa bordão da web para falar de apoio à Dilma Rousseff (VÍDEO)

Ayrton Vignola

Em resposta à pressão por apoio à candidatura da presidente Dilma Rousseff, o candidato ao governo de São Paulo Paulo Skaf (PMDB) publicou em seu perfil no Facebook propaganda eleitoral que dá a entender que não há chance de dividir o palanque com a petista. No vídeo postado nesta segunda-feira, Skaf está dentro de um vagão de metrô, usando o celular quando chega uma mensagem com a pergunta "Skaf, que papo é esse de apoiar o PT?". O candidato responde com "Sabe de nada, inocente", em referência ao bordão que ficou popular após ser usada em propaganda com participantes do grupo É o Tchan.

Ao final do vídeo de 16 segundos, vem a frase "Sou adversário do PT e do PSDB. Meu compromisso é com São Paulo", deixando claro a negativa de apoio à Dilma. Skaf busca evitar que seus votos sejam contaminados pela rejeição paulistana à petista, que chega a 47%. A intenção do post era distanciar-se do candidato petista, Alexandre Padilha, que tem 4% das intenções de voto no estado, de acordo com a última pesquisa Datafolha. Skaf tem 16%, atrás de Geraldo Alckmin (PSDB), com 54%.

Para integrantes do PMDB paulista, no entanto, o vídeo acabou criando uma crise política na campanha, que pode prejudicar o desempenho do candidato, de acordo com o jornal O Estado de São Paulo. Embora no último cenário apresentado pela pesquisa Datafolha Alckmin vença no primeiro turno, caso as eleições cheguem ao segundo turno em São Paulo, Skaf precisará de votos dos petistas. Mesmo com a pressão nacional, o peemedebista afirmou diversas vezes que não dividirá o palanque com Dilma. Dois dias antes da publicação vídeo, o candidato disse em evento na cidade de França que sua candidatura é desvinculada da aliança nacional. “Eu não preciso lidar com a situação, porque, se apoior o PT, eu sou um maluco”.

PMDB nacional reprova brincadeira

De acordo com os jornal O Estado de São Paulo, assim que soube da publicação, nesta terça feira, o presidente do PMDB e vice-presidente da República, Michel Temer ligou para seu afilhado político e avisou que “O PMDB paulista estará com Dilma e comigo na campanha nacional”. Temer tem feito recorrentes apelos para que Skaf abra seu palanque para Dilma. Ele prepara uma reunião da Executiva estadual para cobrar das lideranças locais atos a favor da reeleição da petista e planeja organizar eventos para trazer a candidata a São Paulo. O partido também deve publicar uma nota reforçando o apoio ao PT, com quem tem aliança nacional. O objetivo é evitar que haja maior desgaste de Dilma em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

O coordenador da campanha de Dilma em São Paulo e prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT), também rebateu. "Acho que é um erro o Skaf não colocar o nome dele junto com o da Dilma", segundo informações do jornal Folha de São Paulo.

Disputa publicitária

Não é a primeira vez que o candidato do PMDB ao Palácio dos Bandeirantes faz piada na página do Facebook. No dia 19 de julho, Skaf fez prometeu publicar uma foto usando macacão e chuquinha, caso obtivesse duas mil curtidas. “Pessoal, vou lançar um desafio aqui. Quero mostrar para meu filho que minha página é popular no Facebook. Por isso, quero que este post tenha 2 mil curtidas. Se atingir esta meta, vou postar uma foto minha de macacão e chuquinha. Conto com vocês!”, dizia o post. A meta foi atinginda, chegando a 2.983 curtidas, mas a foto prometida era uma pegadinha. Nela, Skaf estava com a roupa prometida, mas tinha um ano de idade.

A campanha de Skaf é comandada pelo publicitário Duda Mendonça, que elegeu Lula em 2002 com o mote "Lula Paz e Amor". O baiano foi afastado do partido após o escandâlo do mensalão. Já a campanha de Alexandre Padilha está sob coordenação de João Santana, ex-funcionario de Duda. Ele foi responsável pela vitória de Lula em 2006 e de Dilma em 2010.. Integrantes do PMDB afirmam que a disputa publicitária pode ser um empecilho para firmar a aliança da presidente com o PMDB em São Paulo, segundo informações do jornal O Estado de São Paulo.