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28/07/2014 17:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Dilma admite erros na economia, mas defende governo em meio a "pessimismo exagerado" de setores no Brasil

BETO NOCITI/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Entre erros e acertos, a presidente Dilma Rousseff se manteve firme ao lado da segunda opção e apresentou, na tarde desta segunda-feira (28), dados para comprovar os ganhos que o Brasil obteve durante os quatro anos com ela a frente do País. O debate aconteceu durante a sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo, portal UOL, SBT e Rádio Jovem Pan no Palácio do Planalto.

Pelo menos um terço do encontro com os jornalistas tratou da situação econômica do Brasil atualmente. Dilma reconheceu que ocorreram erros, mas que o problema é global e não se restringe aos brasileiros. “No meu mandato tivemos uma piora da crise. Ela continua, mas há uma mudança entre 2011 e 2014. Estamos em uma fase de transição, nenhum país se recuperou (do início da crise, em 2008). Se for acompanhar, o Brasil sempre cresceu com uma taxa acima da média internacional”, disse

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“Todos erramos, e por quê? Porque não tínhamos ideia do grau de descontrole do sistema financeiro internacional, o mundo errou. Mas o que fizemos certo? Nós evitamos arrochar o salário e cortar postos de trabalho, fazendo a população passar por isso”, emendou Dilma. Ela ainda criticou o “pessimismo exagerado” que o Brasil vive em alguns setores, algo notado antes da Copa do Mundo e, segundo a presidente, devidamente rejeitado até pela própria população.

Mais adiante, ela aprofundou um pouco mais o que quis dizer com certo e errado. “Vou insistir: mudança não é feita porque errou, mas porque você tem sempre que querer alterar e melhorar coisas que você faz. Por exemplo, acho o Bolsa Família um dos programas mais bem sucedidos do governo Lula. Quando entramos, como tínhamos experiência acumulada, senão tem eu não sei como fazer, procuramos ampliar focando as famílias com filhos de seis anos, aí conseguimos tirar mais 22 mi pobreza extrema. Não é crítica ao passado, é melhorar”.

Dilma ainda apresentou números para defender a política fiscal e abordou a questão da inflação. Na visão dela, o País sempre enfrentou durante os 15 anos do sistema de metas um aumento da inflação no primeiro trimestre e uma queda no segundo trimestre de cada ano. Atualmente, o País “está a 0,02% do centro da meta”, segundo palavras da presidente, e ela sugeriu que o seu período fosse comparado ao de governos anteriores.

“O presidente Lula pegou uma taxa alta (de inflação) do governo Fernando Henrique. Acho que usam dois pesos e duas medidas para julgar o meu governo. A inflação está no teto da banda e vamos ficar lá. No Brasil, a inflação só esteve no centro da meta em quatro ou cinco anos (desde que o sistema foi implantado)”.

Temas polêmicos

Dilma Rousseff abordou também a polêmica em torno do informe do Banco Santander que informava “danos à economia” no caso da presidente subir nas pesquisas. Ela afirmou ter recebido um “pedido de desculpas bastante protocolar”, mas julgou bastante grave o que ela chamou de “interferência na atividade eleitoral” vinda de uma instituição financeira. “Temos experiência disso com o Lula, em 2002, e não foi bem sucedido. Acho lamentável para qualquer candidato”, completou.

Pontos polêmicos da sabatina de Dilma


Outro assunto espinhoso debatido foi o programa Mais Médicos. Dilma criticou o que chamou de “posição fundamentalista” dos que ainda criticam a ilha conduzida há décadas por Fidel Castro e defendeu a necessidade do programa para atender a uma parcela carente de profissionais no País. Entretanto, ela ressaltou que o programa prevê uma segunda fase, na qual a capacitação de quase 12 mil médicos poderá diminuir a atuação de profissionais de outros países. Mas ela elogia algo trazido pelos cubanos.

“Sabe qual é o Estado que tem o maior pedido de médicos no Brasil? São Paulo. É porque lá está parte importantíssima da população. Mais Médicos é por isso, com todas as descrições de humanidade no atendimento, (aquele que) examina, olha com carinho. Essa é outra coisa que os cubanos trouxeram, que é o alto grau de humanidade no atendimento”, analisou a presidente.

A alta taxa de rejeição que enfrenta, com base nas últimas pesquisas eleitorais, também foram comentadas por Dilma. Ela vê semelhança aos números enfrentados pelos seus antecessores – Lula e Fernando Henrique Cardoso – nesta fase. Questionada sobre a alta taxa de rejeição em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País, ela afirmou que poderá usar o horário eleitoral, com início no próximo mês, para justamente apresentar aos paulistas aquilo que o governo federal vem fazendo pelo Estado.

Sobre o caos Pasadena, Dilma reforçou o seu papel no caso e defendeu que o Conselho de Administração da Petrobras, presidido por ela na época, não teve acesso a todos os dados, conforme indiciou recente parecer do Tribunal de Contas da União (TCU). “Tanto o TCU quanto o Ministério Público perceberam as condições e que eu fui afastada desse processo. Não tem como me condenar por Pasadena”, opinou.

“Supersticiosa”, segundo as próprias palavras, Dilma ainda aproveitou para defender a declaração feita à Justiça Eleitoral de que possui R$ 152 mil em espécie (“tenho essa mania com dinheiro”) e não aceitou qualquer alegação de que o seu governo teria sido tolerante com a corrupção. “Eu não tolero, não aceito corrupção de alguma forma. Sobre governos do PT, falo de Lula e de mim, foram tomadas todas as medidas, porque homens e mulheres não são virtuosos, mas sim as instituições que devem ser. É essencial melhorá-las para combate corrupção”.

“Guerra de classes”

O recrudescimento dos debates – sobretudo nas redes sociais – dá a impressão de haver em andamento uma briga entre “ricos contra pobres”, algo já abordado até mesmo pelo Brasil Post. Contudo, Dilma não concorda com esse ponto de vista, embora tenha apresentado números para julgar a questão “interessante”.

“Não é uma luta de classes, mas seria interessante se isso ocorrer. Em 2002, de cada quatro brasileiros, dois eram pobres ou miseráveis. Já no Brasil de 2014, de cada quatro brasileiros, três estão nas classes C, B ou A (...). Não vejo guerra de ricos e pobres. Todos ganharam, mas quem ganhou mais? Mas é fato que os pobres ganharam mais. Acho que tem gente que sente ao ver sentar ao lado dele no avião uma empregada doméstica ou uma secretária”.

Na linha dos embates e dos “dois pesos, duas medidas”, ainda sobrou tempo para Dilma abordar o espinhoso tema do mensalão. E ela não fugiu da questão. “Acho que nessa história relação com o PT tem dois pesos e umas 19 medidas, porque o mensalão foi investigado, agora o mensalão mineiro não (...). E o que vai acontecer? O que quero dizer, quando foi o nosso caso, tomamos todas as providências, não tivemos processo para interromper, não pressionamos juiz, não engavetamos. Eu, como Presidente da República, não me manifesto sobre decisões do Supremo”, concluiu.

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