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24/07/2014 19:28 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Confusão marca a saída de ativistas que estavam presos há 12 dias no Rio de Janeiro

ANDRÉ LUIZ MELLO/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Três dos cinco ativistas que estavam presos no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro, foram libertados no início da noite desta quinta-feira (24). Na saída de Elisa de Quadros, a Sininho, Igor D’Icarahy e Camila Jourdan, houve muita confusão e jornalistas foram agredidos. A liberdade do trio integra o habeas corpus concedido 24 horas antes pelo desembargador Siro Darlan, da 7ª Vara Criminal, e que beneficia os 23 denunciados pelo Ministério Público (MP-RJ) por crimes relacionados a protestos no Rio.

Segundo o jornal O Dia, um grupo formado por 30 pessoas – formado por parentes e amigos dos ativistas presos desde o último dia 12 – causou a confusão, tentando impedir o trabalho da imprensa. No empurra-empurra, o equipamento de um fotógrafo do jornal acabou danificado. De acordo com o G1, houve ainda troca de socos e empurrões quando os jornalistas se aproximaram dos carros que levariam os ativistas da prisão.

Em sua decisão, proferida na quarta-feira (23), Darlan afirma que o pedido de habeas corpus foi acatado em razão de que “prisão cautelar é medida excepcional e deve ser decretada apenas quando devidamente amparada pelos requisitos legais”, o que “até o momento, não vislumbro plenamente demonstrados”.

“Vislumbra-se que, ao menos em analise perfunctória, que a decisão que decretou a custódia preventiva dos pacientes deixou de contextualizar, em dados concretos, individuais e identificáveis nos autos do processo, a necessidade da segregação dos acusados, tendo em vista a existência de outras restrições menos onerosas”, destacou o desembargador.

Já outros dois ativistas – Fabio Raposo Barbosa e Caio Silva Rangel – vão seguir presos por terem sido denunciados pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, em fevereiro deste ano.

Agora a defesa dos acusados vai se focar em derrubar as acusações feitas pelo MP-RJ. Segundo a Promotoria, os 23 denunciados se associaram para praticarem diversos crimes, como posse de artefato explosivo, corrupção de menor, dano básico e qualificado, resistência e lesão corporal (consumada e tentada) – várias das características inclusive encontradas entre integrantes da tática black bloc.

Os advogados também vão buscar explicações quanto à monitoração feita pela Polícia Civil do Rio de conversas entre os defensores e os ativistas detidos. A questão foi criticada pela regional fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ).


Nesta sexta-feira (25), está marcado um ato contra os processos que correm na Justiça do Rio contra os ativistas. Ainda não se sabe se os processados pela Justiça comparecerão ao evento, marcado para o Largo São Francisco de Paula, no centro do Rio.

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