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23/07/2014 12:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Santa Casa de Misericórdia de São Paulo fecha as portas

Estadão Conteúdo

Quem procurar socorro médico hoje (23) na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (centro) vai dar com a cara na porta. O maior hospital filantrópico da América Latina fechou as portas de atendimento de urgência e emergência, após soltar uma nota ontem (22) dizendo que foi "compelido" a interromper os serviços por causa da "falta de recursos para a aquisição de materiais e medicamentos".

Só quem tem consulta marcada consegue entrar no hospital. Pronto-socorro e mesmo exames ou testes laboratoriais com horário agendado não estão sendo realizados. Do lado de fora do portão, seguranças pedem comprovantes de agendamento de consulta para liberar a entrada de pacientes. Todo dia, cerca de 10 mil pacientes procuram atendimento médico na Santa Casa.

Santa Casa de Misericórdia fecha em São Paulo

Segundo entrevista do provedor do hospital, Kalil Rocha Abdalla, à Rádio Estadão, os serviços foram interrompidos porque havia "risco muito grande" para atendimento. "Não tem luva, não tem seringa, não tem nenhum material. Isso torna muito difícil o atendimento médico na dependência", afirmou.

De acordo com Abdalla, a única solução para o problema é o repasse de verbas públicas para pagar fornecedores. Em 2011, as dívidas da Santa Casa de São Paulo chegavam a R$ 120 milhões e a instituição ameaçava fechar as portas do pronto-socorro. A Secretaria da Saúde do Estado concedeu, então, uma verba de emergência de R$ 10 milhões para que o atendimento não fosse fechado.

Do lado de fora, manifestantes protestam contra a situação. Figura fácil em manifestações, um homem que se veste de Batman estendeu uma faixa na grade da Santa Casa: "50 bilhões para a Copa teve, 50 bilhões para a Santa Casa não tem".

Passa ou repassa?

Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, nesta quarta a prefeitura se ofereceu para entregar seringas, luvas e kits de exames suficientes para até uma semana de atendimento a fim de evitar o fechamento da emergência. O órgão afirma, no entanto, que a Santa Casa dispensou a ajuda. Em resposta, o hospital disse, por meio de sua assessoria, que o "paliativo" foi recusado por ser insuficiente para manter o pronto-socorro aberto.

Na manhã desta quarta, a Secretaria Estadual de Saúde anunciou um repasse emergencial de R$ 3 milhões para que o centro de saúde reabra as portas. Segundo o secretário David Uip, a liberação de mais dinheiro está congestionada devido a uma auditoria que está sendo realizada nas contas da instituição.