NOTÍCIAS
21/07/2014 22:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

Após quatro anos, Dunga retorna ao comando da Seleção Brasileira

Alexandre Battibugli / Placar

Depois de quatro anos, Dunga retorna à Seleção Brasileira nesta terça-feira (22) para assumir o comando da equipe de dirigiu entre 2006 e 2010. Na ocasião, o ex-volante deu início a sua carreira de treinador formando um elenco que conquistou a Copa América, em 2007, e a Copa das Confederações, em 2009, mas falhou justamente na competição que realmente importava, a Copa do Mundo de 2010 - na campanha do torneio realizado na África do Sul, o escrete "canarinho" caiu nas quartas de final, com a derrota de virada para a Holanda, por 2 a 1.

Antes de dirigir a Seleção, porém, Dunga construiu uma longa trajetória como jogador na equipe. Foram três Copas do Mundo, todas emblemáticas para o ex-volante. Na primeira delas, em 1990, na Itália, acabou por simbolizar uma equipe de pouca técnica e muita força, de talento escasso mas muita garra, que caiu nas oitavas de final, ao perder para a arquirrival Argentina. Aquela geração fracassada, não por acaso, é lembrada até os dias de hoje como "Era Dunga".

Ter virado o "bode expiatório" daquela equipe, no entanto, não impediu que o atleta voltasse a disputar a competição quatro anos depois, nos EUA, desta vez com a braçadeira de capitão. E a volta foi triunfal, com a conquista do tetracampeonato. Seu terceiro e último Mundial como jogador foi na França, em 1998: com a possibilidade de se tornar o primeiro jogador brasileiro a levantar a taça de campeão duas vezes, Dunga teve que se conformar com o vice-campeonato, após ver a França bater o Brasil por 3 a 0 na final do torneio. No total, foram 96 atuações com camisa da Seleção, com sete gols marcados.

Em 2006, Dunga deu início a sua carreira de treinador ao ser anunciado, de forma surpreendente, pelo então presidente da CBF Ricardo Teixeira, como o novo comandante da Seleção Brasileira. Em sua primeira passagem à frente da equipe, foram 60 jogos, com 42 vitórias, 12 empates e apenas 5 derrotas. Apesar dos números positivos, porém, o treinador pecou em não levar jovens jogadores - que teriam um caminho a ser trilhado na Seleção - à Copa da África do Sul. Na ocasão, o treinador deixou de fora do time promessas como Neymar, Ganso e Pato, obrigando Mano Menezes, seu sucessor, a formar uma equipe praticamente do zero com vistas à Copa de 2014.

Ao ser chamado para ser treinador da Seleção, Dunga frustrou aqueles que sonhavam com uma renovação na Seleção, com um treinador atualizado com os sistemas táticos mais modernos, sobretudo utilizados na Europa. Nomes como o do argentino Jorge Sampaoli e do chileno Manuel Pellegrini chegaram a ser aventados - havia um clamor para que o novo técnico do Brasil fosse justamente um estrangeiro.

Resta saber como um treinador cujos maiores atributos são disciplinares e não táticos, junto a um coordenador técnico - Gilmar Rinaldi - que é ex-empresário de atletas, sob o comando de dois legítimos cartolas "da velha guarda", Marin e Del Nero, poderá fazer sonhada "revolução" no futebol brasileiro, que possa trazer de volta à Seleção sua mística, reduzida às traças depois da Copa do Mundo de 2014.