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19/07/2014 17:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Malaysia Airlines divulga lista de mortos em avião derrubado na Ucrânia; Holanda critica falta de respeito com corpos

AP Photo/Evgeniy Maloletka

A lista completa dos mortos na derrubada do avião da Malaysia Airlines foi divulgada pela empresa aérea neste sábado (19). A relação traz os nomes de 283 passageiros e 15 tripulantes. Segundo a CNN, 193 são da Holanda, incluindo um com dupla nacionalidade holandesa-americana. Há também 43 vítimas da Malásia, incluindo os 15 tripulantes, 12 da Indonésia, 10 do Reino Unido, incluindo um com dupla nacionalidade britânica e sul-africana, 4 da Alemanha, 4 da Bélgica, 3 das Filipinas, 1 do Canadá e 1 da Nova Zelândia. De acordo com as Nações Unidas, 80 dos mortos eram crianças, informou a CNN.

Neste sábado, 48 horas após o avião ter sido abatido provavelmente por um míssil, muitos dos corpos continuavam espalhados pelos campos e vilarejos do leste da Ucrânia. Segundo reportagem publicada pelo jornal Times of India, o cheiro de morte na vasta área onde os destroços caíram estava ficando insuportável. “Após horas sob o sol quente do verão, os corpos já estão ficando escurecidos e irreconhecíveis”, disse o jornal. Chuvas rápidas e forte também têm caído sobre os destroços e os restos mortais.

Segundo a rede ABC, em qualquer outro lugar do mundo toda a área atingida pelos destroços já deveria estar isolada e segura para garantir que uma investigação completa possa ser realizada, assim como todos os corpos, pertences e pedaços do avião devidamente recuperados e catalogados. O governo ucraniano, no entanto, está em disputa com os rebeldes separatistas, que de fato controlam a região.

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, visivelmente abalado e contrariado, disse ter tido uma conversa “extremamente tensa” com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante a qual teria dido que esta é a hora de ele “mostrar ao mundo que pretende ajudar” a investigação sobre o acidente. Rutte se disse “chocado pelas fotos do comportamento completamente desrespeitoso” dos rebeldes andando sobre e em volta dos destroços do avião e recolhendo pertences das vítimas.

“As notícias que tivemos hoje dos corpos sendo transportados, do local da queda não estar sendo devidamente protegido, realmente chocaram toda a Holanda”, disse o ministro das Relações Exteriores holandês, Frans Timmermans, ao presidente da Ucrânia em Kiev. “As pessoas estão furiosas”, afirmou.

Também neste sábado a chanceler (premiê) alemã Angela Merkel conversou pelo telefone com Putin e teriam entrado em acordo de que os conflitos entre os separatistas e forças ucranianas no leste da Ucrânia deveriam ser imediatamente interrompidos para permitir uma ampla investigação e a recuperação dos corpos por uma equipe de investigação internacional liderada pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO).

Merkel teria pedido a Putin que exercesse sua influência sobre os rebeldes separatistas para garantir que uma investigação ampla e independente se tornasse possível.

O presidente Vladimir Putin é acusado de apoiar os rebeldes separatistas do leste da Ucrânia, que querem independência do governo de Kiev e maior aproximação ou mesmo integração à Rússia. Putin nega.

Uma delegação da OSCE (Organização pela Segurança e Cooperação da Europa) com 24 integrantes chegou ao local nesta sexta, mas só teve acesso inicialmente a uma área muito reduzida do local, controlado principalmente por separatistas armados. Neste sábado, o porta-voz da OSCE, Michael Bociurkiw, disse que os observadores ainda estavam tendo dificuldades para ter acesso a algumas áreas, mas que a situação estava melhorando em relação ao dia anterior. Durante o dia, as equipes de emergência da Ucrânia começaram a trabalhar de forma mais intensa no local.

"Esta é a maior cena de crime do mundo neste momento", descreveu Bociurkiw.

“Agora tivemos a possibilidade de ver um pouco mais desse cenário um tanto extenso. Observamos a situação aqui da maneira como nos foi apresentada”, disse Alexander Hug, vice-monitor-chefe da missão de monitoramento especial enviada à Ucrânia pela OSCE, à agência Reuters.

destroços avião

Equipes de emergência recolhem corpos de vítimas de acidente derrubado na Ucrânia.

O governo ucraniano chegou a acusar os rebeldes separatistas de terem removido 38 corpos do local do acidente para a cidade de Donetsky, no leste da Ucrânia, controlada pelos rebeldes. Também pedaços da fuselagem e outras provas essenciais para determinar o motivo da queda teriam sido removidos. Parte desse material poderia ter sido levado para a Rússia, do outro lado da fronteira.

“Os rebeldes estão usando caminhões para levar fragmentos do avião para a Rússia”, afirmou o governo ucraniano neste sábado, segundo a agência Associated Press.

Mas o líder dos rebeldes, Alexander Borodai, negou as acusações. Segundo ele, nenhum corpo foi removido à espera de que especialistas internacionais realizem o trabalho.

“Há inclusive uma casa onde um corpo caiu, o dono pediu para retirarmos, mas nós não fizemos isso porque não estamos autorizados”, afirmou o líder separatista, que se intitula primeiro-ministro da República do Povo de Donetsky.

destroços avião

Rebelde separatista armado guarda local onde estão os destroços de avião derrubado na quinta-feira na Ucrânia.

O governo ucraniano também acusou os rebeldes de roubarem pertences das vítimas, incluindo dinheiro, joias e cartões de crédito. A denúncia foi feita pelo ministro do Interior da Ucrânia, Anton Gerashchenko em sua página no Facebook.

Mas uma equipe da CNN presente ao local da queda não viu sinais de saques.

Enquanto isso, na Holanda uma equipe de especialistas forenses começou a percorrer o país para recolher material, inclusive amostras de DNA, que possa ajudar a identificar as vítimas holandesas. Cerca de 40 duplas de investigadores visitarão os parentes das vítimas nos próximos dias para coletar esse tipo de material.

Em todo a Holanda, cidadãos prestaram homenagens aos mortos colocando flores em locais públicos como o aeroporto de Schiphol, em Amsterdã.

homenagem holanda

Pai e filha visitam casa de família que morreu na queda do avião da Malaysia Airlines, homenageada com flores, em Rosmalen, na Holanda.

A Malaysia Airlines disse que, por enquanto, não tem planos de levar parentes das vítimas ao leste da Ucrânia, onde na última quinta-feira o Boeing 777 da companhia aérea foi abatido quando fazia a rota Amsterdã-Kuala Lumpur.

Com informações da Associated Press e da Reuters.

Queda do Avião da Malaysia Airlines