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18/07/2014 10:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Tropas israelenses entram na Faixa de Gaza para destruir túneis e locais de lançamento de foguetes

Quase 30 palestinos e um soldado israelense morreram desde a noite de quinta-feira (17) quando um grande número de tropas israelenses iniciou uma incursão terrestre na Faixa de Gaza, também atacada por ar e mar. "Eles estão atirando de todas as direções, tudo aqui está tremendo", afirmou um morador de Gaza ao jornal israelense Haaretz.

invasão gaza

Imagem feita com equipamento militar de visão noturna e liberada pelo Exército de Israel mostra tropas israelenses entrando em Gaza na noite de quinta-feira para sexta.

É a primeira vez que soldados atravessam a fronteira entre Israel e o território palestino desde que a Operação Escudo Protetor começou há dez dias. Esta é também a primeira grande operação terrestre em Gaza desde 2009, quando Israel também lançou outra grande operação para enfraquecer o Hamas, grupo palestino contrário às negociações de paz israelo-palestinas.

Nesta sexta-feira (18), o premiê israelense, Byniamin Netanyahu, afirmou que o principal objetivo da operação terrestre é destruir túneis cavados pelo Hamas na fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza, isolada do território israelense por cercas controladas por Israel. "Já que não é possível destruir os túneis do ar, nossos soldados também estão fazendo isso no chão", disse Bibi, como é conhecido em Israel.

Segundo a Associated Press, 13 militantes armados do Hamas utilizaram um túnel para atravessar a cerca que separa Gaza da Cisjordânia e chegaram a emergir em território israelense a cerca de 250 metros da fronteira, mas foram surpreendidos por um ataque aéreo.

A ação militar em Gaza também visa enfraquecer militarmente o Hamas, tanto perseguindo e matando líderes do grupo palestino que controla Gaza quanto destruindo bases de lançamento de foguetes contra Israel.

Integrantes do braço armado do Hamas afirmaram que buscarão fazer emboscadas contra os soldados israelenses ao longo da fronteira com Israel. "Estamos prontos para ensinar uma lição aos israelenses", ameaçou um grupo militante em um panfleto, segundo o Haaretz.

As Forças de Defesa de Israel (IDF), como é chamado o Exército israelense, atingiram mais de 150 alvos em Gaza durante a noite, entre eles 20 lançadores de foguetes, nove túneis e as casas de quatro ativistas do Hamas, de acordo com fontes oficiais.

Mesmo durante a ofensiva por terra, mar e ar, em diversas cidades israelenses houve o disparo de sirenes alertando contra foguetes lançados pelo Hamas de Gaza contra o território de Israel. Mais de 20 foguetes e morteiros teriam sido lançados, e outros 16 foram interceptados pela "Cúpula de Ferro", como é chamado o sistema antimísseis de Israel.

Segundo fontes palestinas, 28 moradores de Gaza teriam sido mortos após Bibi Netanyahu ter autorizado a incursão terrestre na quinta de noite. Já de acordo com IDF, 17 militantes palestinos, que Israel considera terroristas, foram mortos durante a ofensiva militar.

palestino ferido gaza

Jovem palestino ferido é socorrido em hospital da Cidade de Gaza nesta sexta-feira (18).

O sargento israelense Eitan Barak, 20, morreu no norte de Gaza. Foi a primeira morte de um soldado israelense. Segundo o Hamas, ele teria morrido em uma emboscada, mas a mídia israelense afirmou que ele pode ter morrido por fogo amigo.

Desde o início da atual operação militar israelense contra o Hamas, cerca de 260 palestinos já morreram e em torno de 2.000 ficaram feridos. Um civil israelense morreu vítima de um dos mais de 1.500 foguetes lançados pelo Hamas contra o território israelense nas últimas semanas. O número de israelenses mortos é muito menor porque os foguetes do Hamas não são muito precisos e grande parte deles é interceptado antes de atingir a terra pelo escudo protetor israelense.

Na manhã desta sexta, o governo israelense (parlamentarista) se reuniu e autorizou o Exército israelense a ampliar a ofensiva terrestre, que pode durar até duas semanas. Israel afirma que não pretende ocupar novamente a Faixa de Gaza nem derrubar o Hamas do poder.

Enquanto o conflito se amplia em Gaza, o governo egípcio e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, continuam os esforços diplomáticos para o estabelecimento de um novo cessar-fogo. No início desta semana, Israel anunciou que faria um cessar-fogo, mas o Hamas seguiu lançando foguetes e Israel retomou os ataques. Na quinta-feira, Israel realizou um "cessar-fogo humanitário" de cinco horas para permitir que os moradores de Gaza fizessem compras e os feridos fossem socorridos.

O presidente Abbas, do grupo palestino Fatah, o mesmo do ex-presidente Iasser Arafat e mais moderado do que o Hamas, esteve no Egito nesta sexta e deve viajar para a Turquia. A Autoridade Palestina controla a Cisjordânia, enquanto Hamas domina a Faixa de Gaza. No primeiro semestre deste ano, os dois grupos palestinos rivais anunciaram um governo de coalizão nacional, mas o projeto pouco avançou com o recrudescimento do conflito.

Israel iniciou a operação Escudo Protetor depois que três estudantes de judaísmo israelenses foram mortos por militantes palestinos na Cisjordânia. Eles foram sequestrados quando retornavam para o assentamento judaico em que viviam e, após vários dias desaparecidos e intensas buscas em toda a Cisjordânia por parte das forças de Israel, seus corpos foram localizados.

As mortes dos três estudantes causou grande comoção em Israel e, somando-se ao fato de que o Hamas intensificou o lançamento de foguetes e morteiros contra o território israelense nas últimas semanas, levaram o governo israelense a iniciar uma grande operação militar contra o grupo palestino contrário ao acordo de paz israelo-palestino.

De acordo com vozes mais críticas a Israel, a atual operação militar israelense visa também a dificultar a aproximação entre o Hamas e a Autoridade Palestina e a formação de um governo de união nacional que realmente funcione.

Com informações da Associated Press.

Invasão israelense em Gaza