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17/07/2014 12:45 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Avião da Malaysia Airlines cai na Ucrânia próximo da fronteira da Rússia (LIVEBLOG)

Reuters

MOSCOU, 17 de julho (Reuters) - Quase 300 pessoas morreram com a queda de um Boeing 777 da Malaysia Airlines na cidade de Donetsk, na Ucrânia, perto da fronteira da Rússia. "280 passageiros e 15 tripulantes morreram", postou Anton Gerashchenko em sua página no Facebook, ministro do interior da Ucrânia. Posteriormente, o governo dos EUA, por meio do vice-presidente Joe Biden, confirmou que o avião foi abatido por um sistema de mísseis antiaéreos de fabricação russa chamado BUK.

O avião saiu de Amsterdam, na Holanda, para Kuala Lumpur, na Malásia, segundo o plano de voo.

Em comunicado enviado à imprensa, a Malaysia Airlines confirma que perdeu o contato com a aeronave às 14h15 (10h15, no horário de Brasília). A última posição conhecida da aeronave foi a aproximadamente 30 km da cidade de Tamak, 50 km da fronteira da Rússia.

Presidente da Ucrânia diz que queda de avião da Malaysia foi 'ato de terrorismo'

Peter Leonard e Mstyslav Chernov

Associated Press

KIEV - A Ucrânia afirmou que um avião de passageiros com 295 pessoas a bordo foi derrubado nesta quinta-feira quando sobrevoava o país, e tanto o governo ucraniano quanto os separatistas pró-Rússia negaram responsabilidade pela queda da aeronave.

Enquanto nuvens de fumaça subiam perto de Grabovo, uma das cidades separatistas no leste da Ucrânia, um repórter da Associated Press contou pelo menos 22 corpos no local da queda a cerca de 40 quilômetros da fronteira russa.

O avião parece ter se rompido após o impacto e os destroços, que incluem pedaços da fuselagem e de corpos e pertences dos passageiros, estavam espalhados por uma vasta área.

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, qualificou a queda do avião como um ato de terrorismo e pediu uma investigação internacional.

A vila de Grabovo está sob controle dos separatistas pró-Rússia e toda a região tem sido palco de enfrentamentos entre os rebeldes e as forças ucranianas.

A Malaysia Airlines confirmou ter recebido uma notificação das autoridades de aviação da Ucrânia de que teriam perdido contato com o voo MH17 às 14h15 GMT (10h15 em Brasília) quando o avião se encontrava a aproximadamente 50 quilômetros da fronteira entre a Ucrânia e a Rússia.

A empresa malásia informou que o Boeing 777 tinha 280 passageiros e 15 tripulantes a bordo e havia deixado Amsterdam, capital da Holanda, às 12h15 GMT com destino a Kuala Lumpur, capital da Malásia, onde deveria chegar às 6h10 de sexta-feira.

Anton Gerashenko, um assessor do Ministério do Interior da Ucrânia, postou em sua página no Facebook que o avião voava a uma altitude de 10.000 metros quando foi atingido por um míssil disparado de um veículo de lançamento Buk, capaz de lançar mísseis a 22.000 metros de altura.

Em nota, o presidente ucraniano afirmou que suas forças não atiraram em nenhum alvo voador no momento do acidente. “Não excluímos que este avião tenha sido derrubado, e afirmamos que as Forças Armadas da Ucrânia não realizaram nenhuma ação contra alvos no céu. Temos certeza de que os culpados por esta tragédia serão responsabilizados.”

O líder separatista Andrei Purgin disse à Associated Press ter certeza de que tropas ucranianas atiraram contra o avião, mas não ofereceu detalhes ou provas. Purgin disse não saber se as forças separatistas possuem veículos de lançamento de mísseis Buk, mas ainda que tivessem não teriam pessoal treinado para utilizá-los.

Um veículo semelhante foi visto por repórteres da Associated Press na quinta mais cedo perto da cidade ucraniana de Snizhne, também sob controle separatista.

Esta é a segunda vez que um avião da Malaysia Airlines cai em menos de seis meses. O voo 370 desapareceu em março na rota entre Kuala Lumpur e Pequim (China). Os destroços do avião nunca foram encontrados, apesar das intensas buscas no Oceano Índico a oeste da Austrália.

Nesta semana, houve relatos de três aviões derrubados no leste da Ucrânia. Na tarde de quarta-feira, um caça ucraniano foi derrubado por um míssil ar-ar disparado por um avião russo, segundo autoridades ucranianas. Um segundo caça teria sido atingido por um míssil terra-ar e o piloto teria conseguido escapar ileso.

Os separatistas pró-russos assumiram responsabilidade por ataques contra dois jatos Sukhoi-25 da Ucrânia.

Também nesta semana, a Ucrânia disse que um avião de transporte militar teria sido derrubado por um míssil disparado do território russo.

A Ucrânia acusa o governo russo de apoiar os rebeldes separatistas no leste do país, mas o governo de Vladimir Putin rejeita essas alegações.

No primeiro semestre deste ano, a Rússia anexou a Crimeia, península ucraniana de maioria russa, depois que a população da região votou em plebiscito pela separação da Ucrânia e pediu a anexação ao território russo.

O plebiscito e a consequente anexação da Crimeia foram considerados ilegais por boa parte da comunidade internacional. Desde então, os EUA e a União Europeia tentam pressionar a Rússia a rever a anexação por meio de sanções econômicas contra empresas e cidadãos russos.


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