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15/07/2014 13:10 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Eduardo Campos se esquiva de temas polêmicos e parte para o ataque contra Dilma em sabatina

CARLA CARNIEL/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

O candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, reafirmou nesta terça-feira (15), em São Paulo, a sua confiança na vitória nas eleições de outubro. Mais do que isso: ele reforçou a posição de direcionar toda a sua munição contra a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, se afastando do “conservadorismo” de Aécio Neves (PSDB) e tentou passar a ideia de que o seu projeto de País é sim viável.

As afirmações, feitas durante a sabatina realizada pelo jornal Folha de S. Paulo, o site UOL, o SBT e a rádio Jovem Pan, pecaram porém de maior detalhamento, mesmo quando pressionado pelo quarteto de jornalistas que o interpelaram por cerca de uma hora. Em muitos temas polêmicos, como o mensalão, a política de alianças do PSB nos Estados e a indicação de Ana Arraes – mãe de Campos – para o Tribunal de Contas da União (TCU), geraram respostas evasivas.

“É chegado o momento dar ao povo o direito da escolha, para que as pessoas tenham entre as candidaturas um conjunto para renovação. Ela não se dará destruindo o que está aí, ela surge do que já existe. Para renovar não é disputar palanques estaduais, mas sim Brasília. É ela que alimenta os Estados, as velhas oligarquias”, afirmou o peesebista para defender palanques estaduais de partidos rivais, com o tucano Geraldo Alckmin em São Paulo e com o petista Lindberg Farias (PT) no Rio.

Mais importante do que isso, na visão de Campos, é reforçar que o País quer mudança e que Dilma não será reeleita. “Acho que o Brasil torceu muito para que Dilma desse certo, os que votaram e os que não votaram nela. A história vai contar esses quatro anos e ela perdeu uma oportunidade de fazer, ou não teve capacidade ou força para fazer. Ela até deu sinais positivos, e no final ela que se dizia alguém de desenvolvimento vai entregar o País com o seu pior nível de crescimento”, avaliou.

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Um dos temas mais impostos a Campos foi o fato dele não fazer críticas abertas ao governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do qual inclusive fez parte. O candidato do PSB contemporizou, afirmando que o debate não é com Lula – figura que, inclusive, apelou para conseguir o apoio do partido de Campos a Dilma, há quatro anos. “Participamos do governo Lula, não vou negar as minhas referências, mas negar que o governo Lula não foi muito melhor do que esse de Dilma não é possível. Por que farei debate com Lula se não é ele quem está concorrendo?”.

“Não somos a terceira via”

“Não somos terceira via, somos a via para tocar o Brasil em frente”. Foi assim que Eduardo Campos respondeu quando questionado sobre as mais recentes pesquisas de intenções de votos, as quais apontam mais uma vez para uma polarização entre PT e PSDB na corrida presidencial. Ele acredita ser a melhor opção justamente para o eleitor cansado dessa “falta de opção” e que, com o início de fato da campanha, os números a seu favor vão aparecer.

“Existe o desejo de mudança, pesquisas apontam isso, e existem dois projetos de mudança: um conservador (PSDB), que já esteve no poder e fez mudanças que reconhecemos que foram positivas, e existe projeto progressista (PSB), que entende que é fundamental a união de forças para o Brasil crescer. O que o Brasil não aguenta é o PT dizer que o PSDB não fez nada, e o PSDB dizer que o PT é cheio de corruptos e também não fez nada”, comentou.

Campos acha que muito desse crescimento entre os eleitores virá do Nordeste, onde, segundo o próprio peesebista, ele ainda não está conhecido por toda a população como candidato à Presidência. A região, aliás, estaria “muito decepcionada” com Dilma pelas promessas não cumpridas e pela ausência de obras iniciadas e concluídas na região nos últimos quatro anos, de acordo com palavras de Campos.

Quando o assunto foram as propostas, o candidato insistiu que a educação e o crescimento sustentável terão papel de destaque em seu governo, sem esquecer da saúde e da segurança pública. Entretanto, ele deu poucos detalhes, o mesmo em relação a como será possível fazer o País voltar a crescer e ter uma taxa de juros na casa dos 3%.

Dois pontos evidenciaram a fuga de polêmicas. O primeiro envolveu uma questão feita a Campos e que pedia que ele nomeasse quem seriam as “velhas raposas” da política brasileira. O peesebista evitou polemizar, dizendo que falou “o que está ouvindo nas ruas”. “Não é uma questão só de nomes, eu já dei. Tem outros que fazem a mesma política de Sarney, e você só vai mudar esse tipo de política se começar por Brasília, que alimenta os Estados”.

Já sobre a indicação da mãe, Ana Arraes, ao TCU – com articulação ativa dele e do então presidente Lula –, Campos afirmou que tudo foi feito dentro da legalidade. “Ana sempre foi uma militante política, o nepotismo que conheci foi o que as crianças da minha família escondidas por crimes que não cometeram. Houve vaga TCU, ela se elegeu no voto, na regra, de forma limpa e exerce as suas funções. Só não podia ela?”, finalizou.