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15/07/2014 17:34 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Depois de minimizar goleada, Parreira se opõe à contratação de treinador estrangeiro para a Seleção

Buda Mendes via Getty Images
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - FEBRUARY 11: Brazilian football team assistant coach Carlos Alberto Parreira attends a press conference ahead of the international friendly match against South Africa at Headquarters of Vivo, sponsor of Brazilian Football Confederation - CBF on February 11, 2014 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Buda Mendes/Getty Images)

Carlos Alberto Parreira já estava aposentado quando foi chamado para integrar a comissão técnica que Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo em casa depois de 64 anos. Na primeira coletiva na Granja Comary antes da competição, afirmou que o campeão havia chegado e que o Brasil estava com uma mão na taça. Depois do vexame no Mineirão, minimizou a goleada alemã tentando valorizar o fato de o Brasil ter chegado às semifinais. Nesta segunda-feira, juntamente com Felipão, foi demitido da Seleção, mas mesmo assim não perdeu a pose (e a arrogância): em entrevista ao programa Bate-Bola, do canal ESPN Brasil, nesta terça-feira, na contramão da opinião pública, afirmou que a CBF não deve contratar um treinador estrangeiro.

"Não há necessidade [de um treinador estrangeiro]. Grandes seleções têm que ter técnico local. O cara de fora que chegar aqui vai sofrer muito. E quando ele começar a entender, já era, já foi...", disse Parreira, mostrando todo seu atraso em relação ao futebol praticado em escala global nos dias atuais. "Não sou contra a ideia, mas acho difícil implementar um trabalho com um treinador estrangeiro. Em seis jogos, se ele perde três, já vão criticar. Acho que tem gente competente aqui para dar continuidade a esse trabalho", completou o ex-treinador.

A contratação de um treinador estrangeiro foi aventada pela CBF e tem apoio de grande parte imprensa esportiva brasileira e de torcedores. Segundo a imprensa chilena, inclusive, houve uma sondagem ao treinador Manuel Pellegrini, do Manchester City, refutada pelo chileno.

Parreira embasa seus argumentos no exemplo da seleção inglesa, que não teve sucesso ao contratar treinadores estrangeiros. "Isso não deu certo na Inglaterra, por exemplo. [Sven Göran] Eriksson foi um fracasso. [Fabio] Capello foi um fracasso maior ainda", disse Parreira, esquecendo-se do fato de que a Inglaterra também não teve sucesso com técnicos ingleses - o último (e único) título do "English Team" foi conquistado no longínquo ano de 1966, na Copa do Mundo disputada naquele país.

O coordenador técnico da Seleção Brasileira na Copa de 2014 acredita que o caminho correto é valorizar as categorias de base, apenas. "O Brasil é formador de base. Temos que voltar a fazer isso. O Brasil deve incrementar o trabalho de divisões de base e revelar jogadores de alto nível. Os jogadores estão saindo muito cedo do Brasil. Atualmente, o jogador brasileiro conclui sua formação como atleta no exterior", disse.

O treinador da Seleção nas Copas de 1994 e 2006, na entrevista, voltou a relativizar a derrota humilhante para a Alemanha no Mineirão. "Nas últimas três Copas, foi a primeira que ficamos entre os quatro melhores. Esse resultado foi vergonhoso, foi desastroso, é a maior derrota de todos os tempos, mas quantas vezes a seleção perdeu de sete? Foi uma única vez. Não vai acontecer uma segunda vez".