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15/07/2014 16:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:42 -02

Brics: reunião define primeira sede do banco em Xangai

Twitter Dilma Rousseff/Reprodução

A expressão "nova ordem mundial" ganhou força no Twitter associada à reunião que roubou a atenção internacional nesta semana: as lideranças dos Brics se reunem, até quinta, em Fortaleza, para buscar soluções e proteção para a crise financeira.

Após uma primeira reunião, nesta terça, os líderes decidiram pela criação de um fundo de 100 bilhões de dólares para buscar uma alternativa ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A presidente Dilma Rousseff anunciou que a sede do novo banco do Brics será em Xangai e a primeira presidência será ocupada pela Índia. Dilma afirmou ainda que a primeira direção do board de governadores será da Rússia e a primeira direção do board de diretores será do Brasil.

Na sua conta no Twitter a presidente Dilma Rousseff destacou a importância da reunião e seus principais objetivos, além de publicar uma foto com as lideranças dos países participantes do bloco econômico.

Aproveitando o cenário favorável para o início da campanha, Dilma deve considerar a oportunidade, com o apoio de quatro das maiores economias mundiais, de que o crescimento econômico brasileiro pode ser um modelo, ainda que não apresente um crescimento elevado. Anfitrião da reunião, o Brasil pode influenciar o tema central da cúpula e a declaração final.

Política internacional e Putin

Assuntos internos dos países participantes são tratados com delicadeza na reunião. A questão da anexação da Crimeia por parte da Rússia, por exemplo, trouxe à tona o tratamento que o bloco dará às questões particulares dos países do bloco.

O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que os Brics se posicionaram contra medidas unilaterais econômicas e políticas de terceiros países, mas que as nações do bloco não estão buscando confronto com o Ocidente.

Falando a repórteres em Fortaleza, Lavrov afirmou que os Brics estão optando por uma abordagem comum para a resolução de problemas mundiais.

"A cúpula confirmou que, ao se declararem contra medidas unilaterais na economia e política mundial, os membros dos Brics não estão buscando confronto, mas estão se oferecendo para analisar abordagens coletivas para resolver todas as questões (globais)", disse ele a repórteres na cúpula dos Brics.

Em resposta à anexação da região ucraniana da Crimeia pela Rússia, os Estados Unidos impuseram sanções contra o país, incluindo congelamento de bens e proibição de concessão de vistos a autoridades e empresários considerados próximos do presidente Vladimir Putin.

A cúpula dos Brics foi amplamente vista como uma oportunidade para que Putin elevasse sua influência geopolítica em um momento de isolamento imposto por países ocidentais por causa da crise na Ucrânia.

"Na esportiva"

O FMI e o Banco Mundial parecem estar levando os novos "desafiantes econômicos" na esportiva.

"Todas as iniciativas que visam fortalecer a rede de contatos multilateral de instituições de crédito e que aumentem o financiamento disponível para infra-estrutura, são bem vindos", afirmou o porta-voz do Fundo Monetário Internacional, Conny Lotze. "O que é importante é que qualquer nova instituição financeira complementará as instituições já existentes"

Questionado sobre o banco de desenvolvimento dos Brics, o presidente do Banco Mundial, Jim Kim, afirmou: "Nós acolhemos novas instituições... Pensamos que a necessidade de novos investimentos em infra-estrutura são massivos, e cremos que poderemos trabalhar bem e cooperar com qualquer um destes novos bancos, uma vez que eles se tornem realidade"

com informações de Reuters, Associated Press e Estadão Conteúdo