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14/07/2014 16:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

#VergonhaNaCopa: jornalista canadense leva chute no rosto e diz ter sido roubado por PM durante ato no Rio (VÍDEO)

Pelo menos 15 jornalistas foram agredidos pela Polícia Militar durante o protesto que ocorreu na tarde deste domingo (13) na Praça Saens Peña, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, próximo ao Estádio do Maracanã, onde ocorria a final da Copa do Mundo entre Alemanha e Argentina. No episódio mais emblemático, um jornalista canadense leva um chute no rosto de um PM.

Em vídeo publicado pelo jornal Nova Democracia, o profissional de imprensa Jason O’Hara aparece no chão, sem oferecer resistência, quando acaba recebendo um chute no rosto de um policial militar. Mais adiante, o vídeo mostra O’Hara ferido na perna e lamentando “ter sido roubado” por um policial durante toda a confusão. “Agora, estou sem GoPro (marca da câmera que utilizava). Fui roubado por um policial”, comentou.

Em outro vídeo, O'Hara relembra a ação dos policiais, a qual chama de "ridícula", dada a desproporcionalidade e violência.

A ação da PM durante a decisão do Mundial no Rio foi duramente criticada pelo Sindicato dos Jornalistas do Rio. Em nota, a entidade da categoria afirma que “o Estado brasileiro e o governo estadual do Rio de Janeiro ignoraram direitos individuais e coletivos de brasileiros e visitantes, assim como cassaram a liberdade de expressão e a de imprensa”.

“O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro repudia com veemência essa violenta política de repressão aos movimentos sociais e aos jornalistas e pede a atenção dos organismos internacionais de Direitos Humanos para que pressionem o governo brasileiro no sentido de restabelecer as condições dignas de um Estado democrático de direito”, completou o comunicado.


Além de O’Hara, pelo menos outros dois jornalistas estrangeiros – um peruano e outro italiano – ficaram feridos, em uma ação semelhante ao que feriu duas jornalistas da rede americana CNN na abertura da Copa, em São Paulo, no último dia 12 de junho. Segundo dados do Sindicato dos Jornalistas do Rio, a polícia “é responsável por 68% dos casos de violência contra jornalistas e comunicadores”, sendo que 90 já foram agredidos desde maio de 2013 na cidade.

Outros vídeos publicados nas redes sociais mostram muita tensão e muita truculência de alguns policiais militares que trabalhavam durante a manifestação, que contava com cerca de 200 pessoas e “era pacífica”, de acordo com diversos coletivos e com o próprio Sindicato dos Jornalistas. O ato se transformou em correria e confusão quando os manifestantes tentaram deixar a praça em direção ao Maracanã, de acordo com informações do G1.



A reportagem do Brasil Post entrou em contato com a assessoria da Secretaria do Estado de Segurança do Rio para obter mais detalhes da operação, mas ainda não obteve retorno – o qual será publicado assim que for enviado. Já a PM, em nota, afirmou que os manifestantes tinham a intenção de ir em direção ao estádio, o que poderia colocar milhares de torcedores em risco.

“A Polícia Militar reconhece a importância do trabalho dos jornalistas como base em um país democrático, no registro e na divulgação de informações (...). Todas as denúncias e imagens recebidas relativas ao excesso na ação de policiais militares serão encaminhadas à Corregedoria e apuradas”, diz a nota.

Vale lembrar que corregedorias da PM espalhadas pelo Brasil já receberam denúncias contra abusos da polícia em manifestações realizadas nos últimos 15 meses. Entretanto, pouco ou quase nada se sabe sobre punições. Em São Paulo, ninguém foi punido até hoje – conforme apurou reportagem da BBC Brasil –, apesar de farto material divulgado na imprensa de agressões de PMs contra profissionais da imprensa.

A situação chamou a atenção até mesmo de organismos internacionais, como a Anistia Internacional e o Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), que ainda em maio deste ano cobrou o governo federal por mais transparência na apuração de abusos contra profissionais da mídia.


“Será que o governo de Dilma Rousseff tem a vontade e a determinação para derrotar a impunidade e acabar com assédio legal, permitindo que a liberdade de imprensa prospere?”, publicou a CPJ em seu site.

Outras organizações, como a Associação Brasileira dos Advogados do Povo (Abrapo) também se posicionaram em repúdio à ação policial na capital fluminense.


Políticos criticam ação da PM durante o fim de semana

O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) criticaram em suas páginas no Facebook a conduta da PM no protesto deste domingo na Praça Saens Peña. Wyllys condenou ainda as prisões realizadas na última sexta-feira (11) de mais de uma dezena de pessoas que estariam associadas à violência em recentes protestos registrados no início deste ano, no que o parlamentar chamou de “gravíssimo quadro de violações aos direitos humanos”.


Já Freixo chamou as prisões de “arbitrárias” no Rio de Janeiro.

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