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14/07/2014 17:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Máfia dos ingressos da Copa: executivo de empresa ligada à Fifa se entrega no Rio de Janeiro

FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO

Responsáveis pela operação Jules Rimet, policiais da 18ª DP (Praça da Bandeira) informaram que o CEO da Match, Raymond Whelan, que estava foragido desde a quinta-feira da semana passada, se entregou no início da tarde desta segunda-feira (14) à desembargadora Marília de Castro Neves Vieira, que na semana passada havia concedido o habeas corpus que libertou o inglês após sua primeira prisão no Rio.

Segundo os policiais, a desembargadora entrou em contato com o delegado responsável pela investigação, Fábio Barucke, e solicitou que policiais fossem até o local para buscá-lo. Ele deve ser encaminhado à Cidade da Polícia, no Jacaré, na zona norte do Rio, e depois ao Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu.

O escritório do advogado de Whelan, Fernando Fernandes, confirmou que o CEO da Match se entregou nesta tarde. "O executivo Raymond Whelan está na carceragem do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ele acabou de se apresentar à desembargadora Rosita Maria de Oliveira Netto, da 6ª Câmara Criminal, relatora do processo contra ele", informou.

"Whelan estava acompanhado de seu advogado Fernando Fernandes, para quem disse, ao se apresentar, que 'enfim, poderei iniciar minha defesa criminal'", concluiu a nota divulgada pelo escritório do advogado de Whelan.

Whelan, que é o diretor executivo da empresa parceira da Fifa, é acusado de ser o chefe de um esquema que vendia de forma ilegal ingressos de partidas da Copa do Mundo. O dirigente era considerado foragido desde a última quarta-feira, quando foi decretada a sua prisão preventiva.

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Depois disso, Whelan deixou o hotel onde estava hospedado no Rio, pelas portas dos fundos. Assim, quando a polícia chegou ao local para detê-lo, não o encontrou. Foragido, tentou obter a sua liberdade através de um habeas corpus enquanto estava livre, mas não teve êxito. Agora, acabou se entregando.

A prisão ocorre no mesmo dia em que o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, admitiu que houve venda ilegal de ingressos para a Copa e que essa prática dificilmente terá fim. Entretanto, ele negou com veemência a participação da Fifa no escândalo. "Nós também prendemos pessoas na África do Sul. Acho que nunca conseguiremos pôr fim a esse sistema", considerou Valcke.

O número dois da Fifa foi quem respondeu ao questionamento inicialmente dirigido ao presidente Joseph Blatter, que se irritou com o termo "corrupção" utilizado na pergunta por uma repórter brasileira. "Quando você fala de corrupção, tem que apresentar provas, evidências. Quando você diz que algo estava errado com ingressos, eu aceito. Mas corrupção, onde?", questionou Blatter.

Valcke voltou a ressaltar que somente a Fifa tem autorização para negociar ingressos, e que a entidade "nunca vendeu nenhum bilhete com o valor acima do informado". Ele disse que aqueles que adquirem ingressos e desistem de ir aos jogos devem devolver as entradas à Fifa, e não revendê-los a um preço maior.

"O mesmo vale para um parceiro quando ele não quer um ingresso, ele tem que devolver. O que eu quero dizer é que irão haver muitas histórias, mas não se pode dizer que a Fifa não combata isso", declarou Valcke. A investigação da polícia brasileira revelou que os ingressos que alimentavam o esquema ilegal eram provenientes de empresas parceiras, entidades e jogadores, dentre outros.

Por fim, o secretário-geral da Fifa garantiu ainda que a entidade está auxiliando a polícia nas investigações. "(O caso) saiu na imprensa antes de ser informado a nós. Nós nunca dizemos às autoridades que não vamos colaborar. Sempre daremos todo o apoio às investigações", assegurou Valcke.