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12/07/2014 11:51 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Dilma se encontra com chefes de estado polêmicos neste domingo

ALEXANDER NEMENOV via Getty Images
Russia's President Vladimir Putin welcome his Brazil's counterpart Dilma Rousseff (L) during their meeting in the Kremlin in Moscow on December 14, 2012. AFP PHOTO / ALEXANDER NEMENOV (Photo credit should read ALEXANDER NEMENOV/AFP/Getty Images)

A presidente Dilma Rousseff se encontra neste domingo (13) com mais de dez chefes de estado para assistir à final da Copa do Mundo. Entre os convidados, há algumas personalidades polêmicas, além do controverso presidente da FIFA. Joseph Blatter.

Um deles é Joseph Kabila, presidente da República Democrática do Congo. Filho do ditador Laurent-Désiré Kabila, assumiu o poder do país em 2001, após o assassinato do pai. Tentou pôr fim à guerra civil que assolava o país com algum êxito após um acordo de paz em 2002, mas sofreu um golpe de estado e só voltou ao poder em 2006, através de eleições democráticas. Vencer as primeiras eleições democráticas do país em 40 anos deu legitimidade a ele e o tirou de baixo da sombra do pai.

Kabila foi reeleito em 2011, mas os Estados Unidos não querem que ele tente reeleição novamente em 2016, pois seria contrário à Constituição do país. Para isso, John Kerry, secretário americano de estado, disse que a administração Obama está disposta a doar 30 milhões de dólares à RDM, contanto que Kabila se comprometa a deixar o poder ao fim de seu mandato. Não está claro se ele concordou.

Outra personalidade polêmica é o presidente do Congo, Denis Sassou-Nguesso, apontado pelo Exército como presidente em 1979. Nesses quase 40 anos, Sassou-Nguesso passou maior parte do tempo no poder, tendo perdido as eleições em 1992, mas retornado em 1997. Foi acusado de corrupção e investigado em 2009 por desvio de dinheiro. A Transparência Internacional da França o acusou de usar dinheiro público para comprar carros de luxo, o que ele sempre negou.

Mais polêmico (e conhecido) de todos é Vlamidir Putin, presidente da Rússia, sede da Copa do Mundo de 2016. Putin não tem saído do noticiário desde o início da crise na Ucrânia, ex-república soviética, que culminou com a anexação da península da Crimeia à Rússia. Desde o começo do ano, a fronteira entre Rússia e Ucrânia é zona de guerra, com separatistas pró-Rússia atacando forças ucranianas e vice-versa. Recentemente, forças do governo ganharam força na batalha de três meses contra separatistas que estabeleceram "repúblicas populares" no leste do país, de população de língua russa, e dizem desejar se unir à Rússia, mas alguns ataques continuam acontecendo.

A anexação da Crimeia e a postura inflexível de Putin na negociação de paz para encerrar a crise irritaram as potênciais ocidentais: Estados Unidos e a União Europeia proibiram a emissão de vistos e o congelamento de ativos de alguns indivíduos russos e empresas russas. Washington e Bruxelas têm sustentado a possibilidade de mais sanções caso combatentes separatistas pró-Rússia não recuem no leste da Ucrânia.

Angela Merkel, chanceler da Alemanha, outra presença confirmada na partida, têm estado em contato telefônico regular com Putin para falar sobre a crise ucraniana. Os dois também devem se encontrar para conversar sobre o assunto neste domingo.

Merkel também conversará a sós com Dilma Rousseff, e as duas devem falar sobre espionagem.

As duas foram alvo de espionagem do governo dos Estados Unidos. Na semana passada,foi divulgada uma notícia sobre um espião alemão que era agente duplo da CIA. A revelação revoltou as autoridades alemãs, que o expulsaram do país. Merkel considerou a espionagem inaceitável, assim como Dilma em 2013, quando se descobriu que agências do governo dos EUA interceptava seus e-mails e telefonemas e de seus principais assessores, além de dados sigilosos da Petrobras. As denúncias provocaram um forte abalo nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos.

Esta não é a primeira vez em que as duas se reúnem para falar sobre o assunto. Em junho, Dilma e Merkel conversaram sobre as denúncias e fizeram declarações à imprensa sobre a discussão. Em 2013, Brasil e Alemanha propuseram ações à Assembleia Geral da ONU para garantir o direito à privacidade na era digital, e a resolução foi aprovada em dezembro.

(Com Reuters)