COMPORTAMENTO
12/07/2014 15:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Campanha busca exterminar a ideia do "macho padrão"

Peter Dazeley via Getty Images

A discussão sobre opressão sexual tem enfocado, em grande parte das vezes mas menos do que se deveria, a forma como a mulher é vista e tratada na sociedade. Entretanto, o patriarcado também afeta os homens de uma maneira bastante negativa. Existem fardos que todo "macho" carrega durante a vida. "Homens não podem usar saia", é o que nos ensinam. "Homens não podem broxar", é o que nos avisam. "Homens não podem chorar", afirmam.

Como se houvesse um manual de "como ser homem", somos educados a seguir restritos padrões de comportamento e pensamento. A punição para quem foge aos dogmas instituídos por convenções arcaicas é o olhar torto, a piadinha infame, o xingamento e, enfim, o espancamento.

Causas e efeitos do patriarcado no homem



Diante deste cenário, o mo[vi]mento MG/RJ, em parceria com o grupo de teatro nova-iorquino The Living Theatre, lança a campanha “Homens, libertem-se!". O objetivo é questionar os valores patriarcais e mostrar que o mesmo machismo que vitimiza a mulher oprime o homem.

"O projeto pretende ser um chamado à reflexão em torno das muitas formas pelas quais o machismo prejudica também os homens, independente de sua sexualidade, devido às dimensões da construção social do homem na contemporaneidade, que os incita a se encaixarem num modelo de homem fixo e restritivo", afirmam os idealizadores no site da campanha. "Estas restrições geram uma opressão pouco discutida por ser mais velada, aceita e naturalizada, mesmo após as inúmeras reflexões do último século em torno dos direitos humanos."

Para delinear o objetivo, o movimento criou um manifesto colaborativo. Participaram da concepção do documento Alessandra Vannucci, Alexis Nehemy, Bruno Campelo, Charles Pinheiro, Daniel Sapiência Torreão, Frederico Mattos, Fausto Mota, Geuder Martins, Guiomar de Grammont, Jessica Cerejeira, Josie Pessoa, Laerte Coutinho, Leandro Alves Ribeiro, Lenine Guevara, Maíra Lana, Marcelo Rocco, Marcos Breda, Nara Salles, Nino Adler, Pedro Fasanaro, Valéria Neno, Valter Fadel, Vanessa Guimarães, e Wallace Ruy.

O manifesto da campanha "Homens, libertem-se!"

- Quero o fim da obrigatoriedade ao Serviço Militar.

- Posso broxar. O tamanho do meu pau também não importa.

- Posso falir. Quero ser amado por quem eu sou e não pelo que eu tenho.

- Posso ser frágil, sentir medo, pedir socorro, chorar e gritar quando a situação for difícil.

- Posso me cuidar, fazer o que eu quiser com a minha aparência e minha postura, cuidar da minha saúde, do meu bem estar e fazer exame de próstata.

- Posso ser sensível e expressar minha sensibilidade como quiser.

- Posso ser cabeleireiro, decorador, artista, ator, bailarino; posso me maravilhar diante da beleza de uma flor ou do voo dos pássaros.

- Posso recusar me embebedar e me drogar.

- Posso recusar brigar, ser violento, fazer parte de gangues ou de qualquer grupo segregador.

- Posso não gostar de futebol ou de qualquer outro esporte.

- Posso manifestar carinho e dizer que amo meu amigo. Quero viver em uma sociedade em que homens se amem sem que isso seja um tabu.

- Posso ser levado a sério sem ter que usar uma gravata; posso usar saia se eu me sentir mais confortável.

- Posso trocar fraldas, dar a mamadeira e ficar em casa cuidando das crianças.

- Posso deixar meu filho se vestir e se expressar ludicamente como quiser e farei tudo para incentivá-lo a demonstrar seus sentimentos, permitindo que ele chore quando sentir vontade.

- Posso tratar minha filha com o mesmo grau de respeito, liberdade e incentivo com que apoio meu filho.

- Posso admirar uma mulher que eu ache bela com respeito, sem gritaria na rua e me aproximar dela com gentileza, sem forçá-la a nada.

- Eu sei que uma mulher está de saia – ou qualquer outra roupa – porque ela quer e não porque está me convidando para nada.

- Eu sei que uma mulher que transa com quem quiser ou transa no primeiro encontro não é uma vadia, bem como o homem que o faz não é um garanhão; são só pessoas que sentiram desejo.

- Eu nunca comi uma mulher; todas as vezes nós nos comemos.

- Eu não tenho medo de que tanto homens como mulheres tenham poder e ajo de modo que nenhum poder anule o outro.

- Eu sei que o feminismo é uma luta pela igualdade entre todos os indivíduos.

- Eu nunca vou bater numa mulher, não aceito que nenhuma mulher me bata e me posiciono para que nenhum homem ou mulher ache que tem o direito de fazer isso.

- Eu vou me libertar, não para oprimir mais as mulheres, mas para que todos possamos ser livres juntos.

- Eu fui ensinado pela sociedade a ser machista e preciso de ajuda para enxergar caso eu esteja oprimindo alguém com as minhas atitudes.

- Eu não quero mais ouvir a frase “seja homem!”, como se houvesse um modelo fechado de homem a ser seguido. Não sou um rótulo qualquer.

- Quero poder ser eu mesmo, masculino, feminino, louco, são, frágil, forte, tudo e nada disso. E me amarem e aceitarem, não por quem acham que eu deva ser, mas por quem eu sou. E por tudo isso, não sou mais ou menos homem.

- Quero ser mais que um homem, quero ser humano!

- O machismo também me oprime e quero ser um homem livre!

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