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11/07/2014 12:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Bom Senso FC e governo federal se posicionam por mudanças no futebol brasileiro

dilma bom senso

A goleada humilhante da Alemanha sobre o Brasil abriu feridas nunca cicatrizadas e agora ainda mais expostas no futebol brasileiro. Arcaico, sem renovação, e preso a uma estrutura engessada, comandada por velhos cartolas que têm mais interesse em se perpetuarem no poder do que desenvolverem melhores condições para os atletas que atuam no País, o modelo de gestão do futebol aqui empregado já vinha sendo contestado desde o ano passado, quando surgiu o Bom Senso FC, organização de atletas profissionais.

Se as propostas apresentadas pelo Bom Senso foram ignoradas pela CBF, a goleada que chocou a população brasileira fez aparecer, entre os torcedores, um clamor por mudanças. Sendo assim, tanto a organização de jogadores quanto

o governo federal já se pronunciaram, posicionando-se a favor de transformações, de forma urgente.

Em entrevista à emissora estadunidense CNN, Dilma, entre outras críticas, afirmou que "o Brasil não pode mais continuar exportando jogador. Exportar significa não ter a maior atração para os estádios ficarem cheios". Já o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, criticou a legislação brasileira atual, que deixa o poder público de mãos atadas em relação aos meandros do poder no universo do futebol profissional do Brasil.

"A Lei Pelé tirou do Estado qualquer tipo de poder de atribuição e poder de intervenção. Ela determinou a prática do esporte com algo privado, atribuição do mundo privado e isso só será modificado se a legislação também for modificada", disparou, em entrevista coletiva realizada nesta quinta (10) no Maracanã. "O Estado não pode ser excluído da competência de zelar pelo interesse público dentro do esporte”, completou.

O Bom Senso FC, representado pelo seu principal líder, o zagueiro Paulo André, ex-jogador do Corinthians e atualmente atuando no futebol chinês, em nota divulgada em seu perfil de Facebook, foi ainda mais incisivo. Para ele, os cartolas "evitaram e evitarão ao máximo falar sobre as propostas para o futuro pois não entendem bulhufas do que deve ser feito. Entendem de política, de se manter no poder, de explorar o futebol, de mamar nas tetas da vaca".

"Passou da hora de discutirmos um plano de desenvolvimento nacional do futebol, de criarmos regras e licenças para capacitar os novos treinadores, de formarmos melhor as nossas jovens promessas, de desenvolvermos ou resgatarmos o estilo de jogo brasileiro, de protegermos as boas práticas de gestão, de punirmos os infratores, de trazermos as famílias de volta aos estádios de futebol", afirmou o atleta. "Se a CBF não promove esse debate, montemos a nossa Seleção fora dos gramados para desbancar a paralisia da entidade e desatar os nós das amarras políticas que impedem o desenvolvimento, a transparência e a democracia do nosso futebol", propôs, finalizando que "uma caminhada de mil milhas começa com um simples primeiro passo".

As duas partes, governo federal e Bom Senso FC, poderão alinhar as propostas no próximo dia 18 de julho, quando a presidente Dilma Rousseff receberá integrantes da organização para dar sequência à conversa iniciada em 26 de maio, quando se posicionou a favor da reforma no modelo de gestão do futebol brasileiro.

Leia, na íntegra, a nota de Paulo André:

Propostas do Bom Senso FC