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10/07/2014 16:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Um dia após Fifa punir Nigéria, ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, pede intervenção estatal no futebol

Clive Mason/Getty Images Sport

Um dia depois da Fifa suspender a seleção da Nigéria de competições internacionais em reação a uma tentativa de intervenção governamental na federação de futebol do país africano, o ministro dos Esportes brasileiro, Aldo Rebelo, defendeu justamente uma maior interferência pública nos rumos do futebol brasileiro.

“O Estado não pode ser excluído da competência de zelar pelo interesse público dentro do esporte”, afirmou Rebelo em entrevista coletiva organizada pela Fifa e o COL (Comitê Organizador Local) nesta quinta (10) no Maracanã. Conforme reportagem da Folha de S Paulo, o ministro dos Esportes não pretende que o governo nomeie cartolas, mas que tenha um papel mais ativo na CBF e em outras federações esportivas.

Entretanto, a Fifa tem deixado claro em diversas oportunidades que não aceitará intervenção de governos nas federações filiadas. A última decisão nesse sentido foi anunciada nesta quarta (9) no site oficial da entidade: a seleção da Nigéria foi suspensa de todas as competições internacionais depois que a Justiça do país interveio na Federação Nigeriana de Futebol.

Após a derrota dos "Super Águias" pela França em 30 de junho e a consequente volta da seleção pra casa, a Suprema Corte do país africano decidiu retirar o controle sobre a seleção das mãos da Federação Nigeriana de Futebol, delegando a missão a uma autoridade do governo.

Mas, de acordo com o estatuto da Fifa, as associações membros são obrigadas a gerir seus negócios de forma independente, sem qualquer influência de terceiros.

A punição anunciada pela Fifa atinge as seleções masculina e feminina de futebol, assim como os clubes da Nigéria, que estão banidos de todas as competições internacionais de futebol, seja no nível regional, continental ou mundial.

A Fifa afirmou que "a suspensão só será levantada depois que a decisão judicial for revista e o comitê executivo, a assembleia geral e a administração da Federação Nigeriana de Futebol puderem trabalhar sem qualquer interferência em seus negócios.".

Como se vê, não será nada fácil promover uma revolução no futebol brasileiro caso as mudanças não sejam de interesse da CBF e demais organizações do futebol.

Relembre outras punições impostas a Federações de Futebol.

Episódio 1: Brasil e Chile duelavam pelas Eliminatórias da Copa de 90. O goleiro chileno Roberto Rojas simulou que havia sido atingido por um sinalizador e cortou o supercílio com uma lâmina. A Seleção do Chile abandonou o campo e o juiz encerrou a partida.

Quando a farsa foi descoberta, a Fifa baniu do futebol Roberto Rojas, o técnico Orlando Aravena, o médico Daniel Rodríguez e o dirigente Sergio Stoppel. O zagueiro Astengo pegou quatro anos de suspensão e a seleção chilena foi proibida de disputar as Eliminatórias para a Copa de 1994.

Episódio 2: Em 2007, a Fifa proibiu a seleção do Kuwait de participar de qualquer competição oficial devido a interferência do governo na Federação de Futebol. A punição durou apenas duas semanas. Em 2008, a seleção foi novamente punida, dessa vez em dois meses por falhas nas eleições da Assembleia Geral.

Episódio 3: Copa das Nações Africanas 2010: o ônibus da seleção de Togo foi vítima de um ataque terrorista no caminho de uma viagem a Angola.

Segundo informações do portal Futbox, devido ao atentado, a seleção decidiu abandonar o torneio, mas a Confederação Africana não consentiu com a decisão e resolveu suspender “Os Gaviões” das duas edições seguintes. A Federação Togolesa de Futebol entrou com recurso e conseguiu anular a punição.