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08/07/2014 19:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Sete diferenças: um paralelo das derrotas nas Copas do Mundo de 1950 e 2014

Laurence Griffiths/Getty Images Sport

Mineirazo? A humilhação da goleada do Brasil para a Alemanha nem de longe faz lembrar a derrota da Seleção para o Uruguai há 64 anos. O futebol e o contexto sociocultural são diferentes.

Somente uma derrota na final para a Argentina poderia proporcionar dor maior à que sentiram os brasileiros no Maracanã naquele fatídico 16 de julho de 1950.

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As sete principais diferenças das Copas de 1950 e 2014 (fora e dentro de campo)

1. Manifestações

Com o fim da II Guerra Mundial, a maioria dos países da Europa se encontrava sem condições de receber uma Copa. Sem outros candidatos a país-sede, em 1946, a Fifa confirmou a Copa no Brasil. Às vésperas do torneio, não houve barulho do tipo: “não vai ter Copa, não vai ter Copa”.

2. O povo

O povo abraçou a Copa. E tinha lugar pra todo mundo nos estádios: pretos, brancos, ricos e pobres.

3. Jogadores

Todos os convocados da Copa de 50 atuavam no Brasil. Por conta disso, a identificação com o time era muito maior. Na Copa 2014, apenas quatro jogadores atuam no país: Jefferson, Victor, Jô e Fred – apenas o último é considerado titular.

4. Favoritismo

Em 1950, até o jogo contra o Uruguai, a Seleção Brasileira sobrou na competição: quatro vitórias e um empate. O Brasil chegou ao jogo decisivo com 21 gols pró e apenas quatro contra. Era a grande favorita, a seleção a ser batida. Em 2014, o Brasil não convenceu.

5. O complexo de vira-latas

Em 1950, o Brasil ainda não tinha sido campeão mundial. E a derrota aflorou o complexo de vira-latas do brasileiro, como Nelson Rodrigues definiu. Apesar do aparente favoritismo, a gente era realmente capaz de ganhar uma Copa do Mundo?

Certo complexo de inferioridade voltou a reinar nessa Copa do Mundo. Mas não pelo futebol. Muitos brasileiros duvidavam que o país pudesse organizar com sucesso um torneio desse porte. A imprensa estrangeira mostrou que eles estavam errados.

6. Sofrimento e emoção

O gol de Ghiggia, o segundo do Uruguai na vitória de 2x1, foi doído para os quase 200 mil que compareceram ao Maracanã. Era final de jogo, gol da virada, emoção à flor da pele. Ao contrário da Celeste, a Alemanha (que saiu aplaudida de campo) não deu esperanças para os brasileiros que compareceram ao Mineirão e liquidou a partida com menos de 30 minutos do 1º tempo. Olé!

7. Uniforme aposentado

Com a derrota na final de 1950, a CBD (Confederação Brasileira de Desportos) decidiu aposentar o uniforme branco, sob a alegação de que dava azar. Um concurso realizado no jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, definiu o novo manto da Seleção Brasileira: camisa amarela, short azul e meião branco. Mesmo com a humilhante derrota por 7x1 para a Alemanha, alguma dúvida de que a amarelinha será a nossa camisa na Copa de 2018?