NOTÍCIAS
08/07/2014 13:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Disputa entre PT e deputado acusado de vínculo com PCC ameaça todas as candidaturas do partido em São Paulo

Montagem/Estadão Conteúdo

O Partido dos Trabalhadores (PT) vai recorrer da decisão judicial que anulou a convenção estadual da legenda em São Paulo, realizada em 15 de junho. Mas o estrago já está feito em consequência da disputa entre a cúpula do partido e o deputado estadual Luiz Moura, afastado em junho por suposta ligação com o crime organizado.

Com a anulação da convenção, em caráter liminar pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), todas as candidaturas do PT no estado ficam ameaçadas. A coordenação da campanha do ex-ministro Alexandre Padilha a governador, que ainda não decolou perante o eleitorado, está em alvoroço. Todos os candidatos a deputado estadual e federal, além do candidato ao Senado, Eduardo Suplicy, também ficaram apreensivos.

O juiz Fernando Oliveira Camargo, do TJ-SP, atendeu ao pedido de Luiz Moura, que questionou a legalidade da suspensão dele do PT e, portanto, a realização da convenção que ignorou o nome dele para concorrer nas eleições deste ano.

Segundo a decisão, "os documentos juntados aos autos demonstram que o autor [Moura] foi suspenso de suas atividades partidárias com o nítido propósito de afastá-lo da oportunidade de participar das escolhas dos candidatos à próxima eleição, uma vez que apenas baseadas em fatos lançados pela imprensa, sem a devida apuração pelas autoridades constituídas".

Na prática, a decisão determina que Moura possa lançar-se como candidato a deputado estadual neste ano. O problema é que seria necessária uma nova convenção - e o prazo legal, estipulado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já expirou.

Pelo Facebook, o parlamentar comemorou:


Suspeita de envolvimento com PCC

Mesmo que a liminar seja derrubada, Luiz Moura conseguiu fazer barulho e furar a tentativa do PT de blindar a candidatura de Padilha a governador de qualquer associação com ele.

O deputado estadual é investigado por suposto envolvimento com o PCC, desde uma participação em assembleia de rodoviários em Itaquera, na zona leste de São Paulo. Na reunião, estavam presentes 13 integrantes da facção criminosa e um assaltante de bancos condenado.

Moura disse que, na ocasião, estava atuando como interlocutor a fim de evitar uma greve de rodoviários.

Procurada pelo Brasil Post, a assessoria da campanha de Padilha confirmou que o PT vai recorrer.

(Com Estadão Conteúdo)