NOTÍCIAS
04/07/2014 12:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Máfia dos ingressos da Copa: bilhete de filho de vice da Fifa é apreendido com cambistas no Rio

MAURíCIO RUMMENS/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Se alguém tinha dúvidas de que cartolas ligados à Fifa estão envolvidos com a máfia de venda ilegal de ingressos da Copa do Mundo, elas caíram por terra nesta sexta-feira (4). O motivo: um bilhete em nome de Humberto Mario Grondona, filho do presidente da AFA (Associação de Futebol Argentina) e vice de Finanças da Fifa Julio Grondona, foi encontrado com o grupo de 11 pessoas presas no Rio de Janeiro.

O jornalista argentino Andrés Burgo conseguiu inclusive uma imagem do polêmico bilhete.

Ao canal TyC Sports, da Argentina, Humberto reconheceu que a entrada era mesmo sua, mas se negou a revelar a quem ele fez a venda. “De onde surgiram essas entradas eu não sei. Eu atuo de boa fé”, afirmou o filho do cartola argentino, em declarações reproduzidas pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O recente escândalo de ingressos do Mundial fez com que a Fifa adotasse uma postura de cautela, pelo menos oficialmente. Na quinta-feira (3), o diretor de marketing da Fifa, Thierry Weil, afirmou que a entidade iria analisar os ingressos apreendidos para verificar a sua autenticidade – o que a Polícia Civil do Rio já diz ter sido realizado e confirmado.

“A Fifa tem uma postura firme contra qualquer forma de violação aos regulamentos da venda de ingressos e está muito satisfeita com a grande colaboração das autoridades locais em seus esforços para reprimir a venda não autorizada de ingressos”, informou. A entidade ainda negou qualquer ligação com o argelino Mohamadou Lamine Fofana, de 57 anos, preso e apontado como líder da máfia de ingressos da Copa no Brasil.

O “mercado negro” de venda de ingressos não é novidade. Em maio, em entrevista à Agência Pública, o jornalista britânico Andrew Jennings explicou o funcionamento do chamado “mercado negro” dos ingressos da Copa do Mundo, algo que ele detalha em seu livro Um jogo cada vez mais sujo. “Conseguir um ingresso para a Copa do Mundo é ganhar na loteria”, resumiu.

De acordo com o jornalista britânico, o esquema envolveria inclusive a Match, empresa que cuida dos negócios relacionados a ingressos, acomodações e hospitalidade nas Copas para a Fifa, e que tem como um dos seus acionista Philip Blatter, sobrinho do presidente da Fifa, Joseph Blatter. A venda irregular de bilhetes nos últimos dois Mundiais fez com que o então vice-presidente da entidade, Jack Warner, fosse obrigado a deixar o cargo.

Ex-técnico da Seleção Brasileira nega envolvimento com quadrilha

Em entrevista ao jornal Extra, o ex-técnico da Seleção Brasileira Dunga negou ser amigo de Fofana, tido como líder da quadrilha presa no Rio. O treinador, capitão do tetra em 1994 e comandante do time no Mundial de 2010, disse ter encontrado com o argelino uma única vez – apesar de imagens do jornal o mostrarem com Fofana em mais de uma oportunidade.

Dunga deve ser um dos chamados a depor pela Polícia Civil sobre o caso. O ex-zagueiro da Seleção Júnior Baiano, cujo apartamento estava alugado para Fofana, é outro. A polícia revelou nesta semana que grampos telefônicos ligam o argelino a uma série de ligações feitas para a Granja Comary, em Teresópolis (RJ), onde a Seleção Brasileira está concentrada nesta Copa.

O envolvimento de jogadores e integrantes da comissão técnica de Felipão ainda está sendo apurado.

“Mercado negro” para a final está em andamento

Pelo menos dois sites que comercializam ilegalmente ingressos da Copa afirmam possuírem entradas para a decisão do Mundial, no dia 13 de julho, no Maracanã. A informação é do jornal Folha de S. Paulo desta sexta-feira. De acordo com a reportagem, os valores variam entre R$ 15 mil e R$ 97 mil por bilhete.