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30/06/2014 14:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

Que fria, Padilha! Com boa aprovação de só um a cada 5 paulistanos, Haddad aumenta dificuldade do PT em SP

JULIANA KNOBEL/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

O sonho do PT em quebrar a sequência de 20 anos do PSDB no comando do Governo de São Paulo sofreu mais uma notícia nada boa nesta segunda-feira (30). A pesquisa Datafolha, divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo, mostra que o prefeito da capital paulista Fernando Haddad (PT) possui apenas 17% de aprovação positiva – o que corresponde a um a cada cinco paulistanos. Dito isso, não será tão simples para Alexandre Padilha, candidato do partido ao Palácio dos Bandeirantes, ganha terreno na cidade.

As várias caravanas promovidas pelo PT neste primeiro semestre no interior paulista – sem passar pela capital e que renderam multa ao partido – não se deram ao acaso. A rejeição de Haddad já não é nenhum segredo dentro da própria sigla, nem para ele mesmo, e a expectativa era permitir que o tempo pudesse tornar o cenário um pouco mais favorável para que Padilha viesse a São Paulo com mais alarde e, talvez, até aparecesse ao lado do ex-ministro da Educação.

O fato de que apenas 17% dos paulistanos consideram a gestão Haddad “ótima ou boa” – ante 44% que avaliam como “regular” e outros 36% apontando como “ruim ou péssimo” – também prejudica qualquer tentativa de fazer um debate baseado em modelos de governo, algo que PT e PSDB já vêm fazendo em âmbito nacional, comparando modelos bem sucedidos de lado a lado. Perante os paulistanos, onde a presidente Dilma Rousseff já é derrotada pelo tucano Aécio Neves, a situação de Haddad pouco ajuda e aumenta a pressão para Padilha buscar votos no interior do Estado.

Mas, mesmo descartado o “fator Haddad”, Padilha já teria dificuldades para subir nas pesquisas. Consideradas duas pesquisas do mesmo Datafolha entre dezembro de 2013 e o início de junho deste ano, os números são praticamente os mesmos, apontando a liderança do governador tucano Geraldo Alckmin (44%), seguido por Paulo Skaf (PMDB), presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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No Datafolha, Padilha tem 3%, um ponto percentual a menos do que tinha em dezembro e ainda atrás de Gilberto Kassab (PSD), que não será candidato ao governo para apoiar Skaf e buscar um assento no Senado Federal.

Com o início da propaganda eleitoral obrigatória no próximo mês, o candidato petista ao governo paulista espera que, como um congestionamento, o “trânsito das pesquisas” possa amenizar o tom crítico à gestão petista na capital. O trânsito, diga-se, teve a sua pior avaliação em 18 meses de Haddad a frente da cidade, algo que parece bastante sintomático para o PT. Para reverter o quadro, o partido vai precisar de bem mais do que a “simples” intervenção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, este já bastante atarefado com a meta de reeleger Dilma.

Falando em Haddad...

Outro bom motivo para a campanha de Padilha não querer ver Haddad por perto é o dado divulgado nesta segunda-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, dando conta que o saldo devedor da cidade com a União cresceu 15% desde janeiro de 2013, quando o prefeito assumiu o governo municipal. O total devido passou de R$ 53,2 bilhões para R$ 61,3 bilhões. Somando-se outros débitos assumidos pela capital, a dívida total alcança R$ 67,2 bilhões.

Dados da Secretaria de Finanças mostram que São Paulo vem pagando à União parcelas que correspondem a 13% da sua receita líquida real. Isso representou, no ano passado, R$ 2,5 bilhões - ou mais da metade dos recursos investidos na cidade em 2013. Outro R$ 1,4 bilhão relativo aos demais empréstimos foi quitado pela Prefeitura ao longo de 2013.

Como não houve novas contratações pelo Município no período, o aumento da dívida é explicado pela forma como o governo federal cobra a Prefeitura. A taxa atual de juros é calculada pela variação de um índice geral de preços, o IGPDI, mais uma taxa fixa de 9%. Apesar de regular, por ter sido acordado em contrato, o indexador é considerado “impagável” por Haddad, que defende a substituição desse modelo.

Atualmente, o projeto da renegociação da dívida defendido pelo prefeito está parado no Senado, por ordem de Dilma, que não pretende abrir mãos dos repasses municipais e estaduais oriundos de dívidas com a União. Se aprovado, ele ajudaria não apenas a cidade de São Paulo, mas também o Estado, que engrossa o discurso no Planalto. Em ano eleitoral, no entanto, não há previsão de colocar o tema em pauta.

(Com Estadão Conteúdo)