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30/06/2014 19:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

Crise em Israel: Premiê israelense promete punir Hamas por morte de jovens sequestrados

REUTERS/Nir Elias

Israel confirmou nesta segunda-feira (30) que encontrou os corpos de três jovens israelenses desaparecidos na Cisjordânia há 18 dias e o premiê do país, Bibi Netanyahu, afirmou que o grupo Hamas, acusado por Israel de ser o responsável pelo desaparecimento dos jovens, pagará um preço alto pelas mortes.

Os corpos dos três jovens foram localizados perto da vila de Halhul, encerrando a caçada que resultou numa das maiores operações militares do Exército israelense na Cisjordânia nos últimos anos. Em comunicado, Netanyahu declarou que o "Hamas é responsável, e o Hamas irá pagar". Ele disse que os adolescentes "foram sequestrados e assassinados a sangue frio por animais selvagens". Na noite de segunda, Netanyahu estava reunido com seu gabinete de segurança para discutir uma resposta ao caso.

Já no início da madrugada de terça-feira em Israel, o jornal israelense Haaretz publicou a declaração de um porta-voz do Hamas em Gaza identificado como Sami Abu Zuhri à agência France Presse, na qual ele diz que, se Israel decidir realizar uma escalada militar ou iniciar uma guerra, os portões do inferno se abrirão na região.

Desde 12 de junho, quando os estudantes Naftali Fraenkel, Gilad Shaar e Eyal Yifrah desapareceram nas proximidades do assentamento judaico de Alon Shvut, Israel acusava o Hamas de ter sequestrado os adolescentes e lançou grandes ações que levaram à detenção de 300 palestinos, acusados de serem ativistas do grupo militante islâmico.

A ofensiva israelense contra o Hamas levou tropas israelenses de volta ao centro de cidades palestinas em toda a Cisjordânia pela primeira vez desde 2002 e foi acompanhada por um súbito aumento da violência na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Sul de Israel. Pelo menos quatro palestinos foram mortos em confrontos com forças israelenses envolvidas na ofensiva.

O desaparecimento dos adolescentes provocou novas tensões políticas entre o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o Hamas, que após vários anos de rompimento anunciaram neste ano um governo de união. Nos últimos anos, a Autoridade Nacional Palestina, liderada por Abbas, governou a Cisjordânia, e o Hamas, grupo mais radical que sempre rejeitou as negociações de paz entre Israel e os palestinos, mandava em Gaza.

Abbas condenou o sequestro e disse que ele era uma ameaça aos interesses palestinos, ordenando que suas forças de segurança ajudassem Israel nas buscas aos garotos, medida que foi condenada pelo Hamas.

Após acusar o Hamas, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu pressionou o presidente palestino Mahmoud Abbas a abandonar seu acordo de reconciliação com o Hamas e a romper o recém formado governo de união.

Autoridades do Hamas não confirmaram nem negaram envolvimento do grupo no desaparecimento dos jovens, mas elogiaram a realização de sequestros de israelenses, em geral, como um meio legítimo de lutar contra a ocupação de Israel na Cisjordânia.

Fontes: Estadão Conteúdo, Dow Jones Newswires e Associated Press.