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30/06/2014 11:54 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

Chapa ‘café com leite': Aécio aposta em Aloysio Nunes, senador bem votado e polêmico de SP, para vice na candidatura presidencial

RENATO COSTA /FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) será o vice na chapa do candidato tucano à Presidente da República, Aécio Neves. A decisão foi anunciada oficialmente no fim da manhã desta segunda-feira (30), em reunião da Executiva Nacional do partido em Brasília. Aécio julgou várias opções antes de decidir pela chapa “café com leite”, como já foi apelidada a parceria.

A notícia já era dada como certa horas antes, em matérias publicadas nos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. Entretanto, o senador mineiro manteve o mistério e se recusou a confirmar a parceria com Aloysio Nunes no último domingo (29), durante a convenção do PSDB em São Paulo que confirmou a candidatura à reeleição de Geraldo Alckmin.

A escolha por Aloysio Nunes une um nome forte paulista – foi eleito ao Senado com 11 milhões de votos – a outro mineiro, no que pode ser tida como uma reedição moderna da chamada “política café com leite”, que funcionou nos primórdios do século passado na República brasileira, com um presidente mineiro sendo sucedido por um paulista, e assim sucessivamente, até a tomada de poder por Getúlio Vargas, em 1930.

A chapa 100% tucana também não se deu exclusivamente por questões ideológicas. Aécio esperava conseguir que o seu vice fosse algum nome forte de alguma sigla que integra a base governista da presidente Dilma Rousseff – não por acaso o nome de Henrique Meirelles chegou a ter alguma força, antes do PSD de Gilberto Kassab confirmar apoio à Dilma. Outros nomes, como da ex-ministra Ellen Gracie e da deputada Mara Gabrilli, além do ex-senador Tasso Jereissati, foram ventilados, mas nenhuma dessas frentes avançou.

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Além disso, a presença de um senador paulista na chapa permite a Aécio pôr fim a qualquer ruído que ainda possa ter sobrado com os militantes históricos do ex-governador José Serra, este cotado a sair candidato ao Senado pelo partido.

Com Nunes como seu vice, Aécio ainda não une somente os dois maiores colégios eleitorais do País. O mineiro ganha também um forte crítico ao governo petista, que não costuma ter papas na língua e, de vez em quando, se envolve em algumas confusões. Na mais recente delas, acabou quase chegando às vias de fato com um blogueiro de orientação petista no Congresso Nacional.

Quem é Aloysio Nunes

Além da votação expressiva para o Senado em 2010, Aloysio Nunes carrega em seu currículo atuação como deputado estadual pelo PMDB em duas ocasiões: de 1983 a 1987, quando foi líder do governador Franco Montoro na Assembleia Legislativa e; de 1987 a 1991. Também foi eleito deputado federal pelo PMDB de 1995 a 1999. Já pelo PSDB, teve mandatos de 1999 a 2003 e de 2003 a 2007.

No Executivo, o tucano ocupou entre 1991 a 1994 o cargo de vice-governador de São Paulo, no período em que o Estado foi governado por Luiz Antônio Fleury (PMDB). Na ocasião, também comandou a secretaria estadual dos Transportes. Na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Aloysio Nunes atuou como ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República de 1999 a 2001 e ministro da Justiça, em 2001 e 2002. Três anos depois voltou para São Paulo, onde foi secretário de governo da prefeitura em 2005 e 2006.

Considerado como uma pessoa próxima a José Serra, em 2010, o senador também ocupou o cargo de secretário-chefe da Casa Civil do governo do Estado de São Paulo.

(Com Estadão Conteúdo)