NOTÍCIAS
28/06/2014 15:03 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:46 -02

Em harmonia, Eduardo Campos e Marina Silva selam aliança rumo à Presidência e prometem combater corrupção e melhorar política

PEDRO FRANçA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

De Brasília

Ei, Dilma, sai pra entrar Dudu

Ei, Dilma, sai pra entrar Dudu

O coro dos militantes do PSB e Rede Sustentabilidade remetia imediatamente ao ritmo dos xingamentos entoados por torcedores no Itaquerão à presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa.

Mas, na convenção nacional do PSB, Rede e partidos da coligação, neste sábado (28), paródias eram bem-vindas, desde que não houvesse desrespeito.

A Dilma no governo, o povo não quer mais…

Xô, Satanás! Xô, Satanás!

As canções improvisadas arrancavam sorrisos de Eduardo Campos e Marina Silva, agora oficialmente candidatos a presidente e vice.

Apesar de coligações estaduais do PSB ora pró-PT (vide Rio de Janeiro), ora pró-PSDB (vide São Paulo), Eduardo Campos e Marina Silva demonstraram total sintonia na apresentação de seu projeto nacional.

O próprio ex-governador de Pernambuco apresentou a vice como se ela fosse a protagonista da chapa, pedindo aplausos e dando o microfone à “mulher que tem a cara do povo brasileiro”.

Marina celebrou os quase nove meses da aliança de PSB e Rede: “a criança nasceu”. E se divertiu com os boatos frequentes de que a parceria estava balançada.

“A crise que achavam que existia entre nós dois nem chegou a acontecer”, disse a ex-senadora, dirigindo-se a Campos. “Não adiantava alguém [da imprensa] colocar todo dia que a gente tinha alguma ingresia [mal-estar].”

A sintonia dos dois foi clara tanto na apresentação quanto no vídeo, que exibia em tempo praticamente igual a trajetória de ambos, e também no jingle: "Coragem para mudar o Brasil, eu vou com Eduardo e Marina" (assista abaixo).

Combate à corrupção

O aperfeiçoamento da democracia brasileira e o combate à corrupção serão duas bandeiras centrais da aliança PSB-Rede na campanha.

Marina enfatizou aos militantes a necessidade de uma campanha limpa e pediu que todos honrassem o pacto de não-agressão com os adversários.

Campos discursou sobre a ruptura da polarização na política e criticou as “práticas mofadas” que resistem nos governos atuais. Ele rebateu informações plantadas por rivais.

“No nosso governo, não vamos acabar com o Bolsa Família. Nós vamos é acabar com a corrupção, com o paternalismo, fisiologismo. Vamos aperfeiçoar a democracia, que não é a conquista de um partido apenas”, criticou, em um tom mais elevado que o de Marina.

A ex-ministra defendeu que, para aprofundar a democracia, é necessário melhorar a qualidade da política e ampliar a participação popular. "A sociedade não quer mais ser espectadora e se coloca como autora, mobilizadora", destacou.

campos

marina

Críticas aos adversários

Para se impor como terceira via, Eduardo Campos bateu bastante na presidente Dilma Rousseff (PT), a quem culpou pela "quebradeira dos municípios", e alfinetou Aécio Neves (PSDB), que sugeriu nesta semana que os partidos aliados do governo federal "suguem mais um pouquinho" antes de deixar a base e se aliar à sigla dele.

"Tem gente que acha isso [sugar] bonito", ironizou. "Nós vamos é desgrudar os sanguessugas dos cofres públicos", completou Campos.

Porta-vozes dos outros partidos da coligação de PSB e Rede também fizeram coro às críticas ao PT e ao PSDB. A política econômica do governo federal foi um dos principais alvos.

“Vamos ter que derrotar o que existe de pior no PT e no PSDB. E isso, que está condensado nas figuras de Dilma e de Aécio, não reside hoje nas suas diferenças, mas naquilo que eles têm de comum: uma política econômica que dá tudo aos bancos e monopólios internacionais e não deixa nada para o crescimento do Brasil”, argumentou o presidente do PPL, Sérgio Rubens Torres.

“O prazo de validade dos que estão governando o Brasil há 20 anos já venceu”, resumiu o representante do PHS, Laércio Benko. "Queremos a sociedade nivelada por cima, garantindo a todos acesso às riquezas nacionais e educação de qualidade”, emendou o presidente do PRP, Ovasco Resende.

A figura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi poupada pela maioria dos políticos na convenção nacional. Como integraram o governo Lula como ministros, Eduardo Campos e Marina Silva não quiseram se opor a ele – cientes também da mística eleitoral que o cerca.

Mas o presidente do PPS, Roberto Freire, que participou do bloco oposicionista de PSDB e DEM durante os governos Lula e Dilma, fez referência crítica ao ex-presidente.

“Queremos superar a má política da degradação, do desmantelo, que causa a indignação da população brasileira. O que Eduardo representa é ter para o Brasil uma agenda de desenvolvimento para superar o medíocre momento. Foram erradas e equivocadas as escolhas para um populismo fácil, despreocupando-se com futuras gerações”, condenou Freire.