NOTÍCIAS
27/06/2014 11:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:46 -02

Insurgentes realizaram "execuções em massa" no Iraque, diz grupo pró-direitos

AP

Fotografias e imagens de satélites indicam que insurgentes do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) realizaram execuções em massa na cidade de Tikrit, norte do país, disse a ONG de direitos humanos Human Rights Watch nesta sexta-feira.

O EIIL, composto de radicais islâmicos que querem recriar califados medievais do Iraque até a Síria, avançaram sobre grande parte do norte do Iraque quase sem resistência, tomando cidades como Mosul e Tikrit, assumindo controle de postos de fronteira e se aproximando a uma distância de cerca de 100 quilômetros da capital, Bagdá.

Leia também: Entenda em 7 passos o que acontece no Iraque

O Human Rights Watch (HRW) disse que entre 160 e 190 homens foram mortos em pelo menos dois lugares dentro e ao redor de Tikrit —cidade-natal do finado ditador iraquiano Saddam Hussein— entre 11 e 14 de junho.

A entidade afirmou ainda que o total de mortos pode ser muito maior, e que a dificuldade de localizar os corpos e chegar ao local não permitiram uma investigação completa.

Fotos publicadas no website do HRW mostram uma fileira de homens com a cabeça para baixo em trincheiras sendo baleados por um grupo de homens.

“As fotos e imagens de satélite de Tikrit fornecem forte evidência de um terrível crime de guerra que precisa de mais investigação”, disse o diretor de emergências do Human Rights Watch, Peter Bouckaert, em um comunicado. “Eles e outras forças violentas devem saber que os olhos dos iraquianos e do mundo estão observando.”

Não foi imediatamente possível obter comentários do EIIL.

A Organização das Nações Unidas (ONU) disse na terça-feira que pelo menos 1.000 pessoas, a maioria civis, haviam sido mortas e um número equivalente ficou ferido em combate e outras formas de violência no Iraque em junho, à medida que o EIIL avançava pelo norte.

A cifra inclui um número confirmado de vítimas de execuções sumárias cometidas pelo EIIL, assim como prisioneiros mortos por forças iraquianas.

Universidade

Helicópteros iraquianos dispararam contra um câmpus universitário em Tikrit, no norte do país, para forçar a saída de insurgentes que ocuparam a cidade durante a violenta ofensiva que lhes garantiu o controle da maior parte das regiões de maioria sunita, levando-os a se aproximar de Bagdá.

Tikrit, cidade-natal do ex-ditador Saddam Hussein, caiu há 15 dias em mãos dos rebeldes sunitas liderados pelos combatentes do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), uma dissidência da al Qaeda.

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que fotografias e imagens de satétile indicam que o EIIL realizou massacres em massa em Tikrit após ocupar a cidade em 11 de junho, no início de sua ofensiva.

As forças iraquianas lançaram o ataque aéreo a Tikrit na quinta-feira, enviando comandos para um estádio em helicópteros, do quais pelo menos um caiu depois de ficar sob fogo dos insurgentes.

"Eu e minha família partimos esta manhã. Pudemos ouvir disparos. Os helicópteros estão atacando a área", disse Farhan Ibrahim Tamimi, professor universitário que fugiu de Tikrit rumo a uma cidade vizinha.

(Com Reuters)