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26/06/2014 11:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Vaias a Dilma, eleições e Copa: Lula defende governo e dá recado a Felipão em entrevista ao SBT

MURILLO CONSTANTINO/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, em entrevista exibida nesta quarta-feira (25) pelo SBT, que o PT pode ter culpa por não ter “cuidado com carinho” da insatisfação de parte da população. Seria esse o estopim para as vaias e xingamentos recebidos pela presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa do Mundo, atribuídos por Lula e pelos caciques do partido à “elite” de São Paulo.

“Aqueles palavrões me cheirou a coisa organizada. O preconceito, a raiva demonstrada, possivelmente a gente tenha culpa. Eu vou repetir, talvez a gente tenha culpa de não ter cuidado disso com carinho”, disse na entrevista. As declarações vão ao encontro da fala do ministro Gilberto Carvalho que, na semana passada, foi criticado por correligionários ao defender que o PT comete um "erro de diagnóstico" ao alimentar a “ilusão” de que “o povo pensa que está tudo bem”.

Além disso, Lula procurou defender firmemente o governo federal, afirmando que as dificuldades econômicas não acometem apenas o Brasil, mas todos os países do mundo. “Nós tivemos uma crise econômica mundial. Se compararmos o Brasil de 2014 com o de 2010, você fala: estávamos crescendo a 7,5% e estamos crescendo a 2%. Mas não tem que comparar com 2010, tem que comparar é com 2002. Como é que a gente (PT) pegou esse País? Porque é um processo, um projeto de construção que está em vigor neste País”, analisou.

O ex-presidente acredita que, com a sua força política, ele pode ajudar Dilma a ser reeleita por mais quatro anos. “Acho que ela vai fazer um segundo mandato extraordinário, vai acontecer mais ou menos o que aconteceu comigo”.

Lula ainda comentou alguns temas espinhosos, como a corrupção – “o PT não pode fazer uma campanha sem discutir o tema da corrupção. Não podemos, como avestruz, enfiar a cabeça na areia e falar ‘esse tema não é nosso’. Nós temos que debater” – e o mensalão.

“A minha tese é de que, possivelmente, esse tenha sido o processo que tenha sido julgado com a maior pressão de determinados setores dos meios de comunicação da história da humanidade. Nunca as pessoas envolvidas num processo foram condenadas com tanta antecedência como foi nesse caso”, completou.

O ex-presidente petista ainda abordou a Copa do Mundo, que para ele é “mérito é do povo brasileiro” e deu alguns pitacos para o técnico da Seleção Brasileira, Luiz Felipe Scolari. “A única coisa que não vale é a gente perder. A gente tem condições de ganhar do Chile, não pode ficar dependendo apenas do Neymar”, finalizou.

ASSISTA À ENTREVISTA AQUI E AQUI.

Lula se reúne com sindicalistas na segunda-feira

A pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a reunião que ele teria nesta quinta-feira com um grupo de 12 grandes nomes da Força Sindical foi adiada para a próxima segunda-feira (30). O foco da reunião é a reeleição da presidente Dilma Rousseff e a ideia é organizar uma agenda de encontros entre diversas lideranças sindicais e a presidente, com início logo depois da Copa do Mundo.

A reunião, que ocorrerá às 10h30 no Instituto Lula, tem peso político forte. A Força, com seus 1,6 mil sindicatos, mais de um milhão de sócios e um orçamento anual de R$ 50 milhões, tem sido a central mais próxima a Aécio Neves (PSDB). No encontro, as lideranças sindicais esperam um aceno da presidente. Um dos objetivos do encontro de hoje é a construção de uma agenda para o segundo semestre que inclua a visita de Dilma a sindicatos em SP e também um encontro entre ela e lideranças das centrais no Palácio do Planalto.

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“Apesar de todas as dificuldades que vivemos nos últimos três anos e meio, é indiscutível que Dilma representa a melhor candidata para os trabalhadores brasileiros”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, Jorge Nazareno.

O encontro com Lula vai ocorrer uma semana depois de Aécio ter assistido ao jogo da Seleção Brasileira na sede do principal integrante da Força: o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo. Aécio esteve ao lado do deputado federal Paulo Pereira da Silva, o “Paulinho da Força”, presidente do Solidariedade (SDD) e ex-presidente da Força, e de Miguel Torres, sucessor de Paulinho.

Dilma pode ir aos EUA ainda neste ano

Apesar da agenda cheia do período eleitoral, uma visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos ainda este ano voltou a ser uma possibilidade real. A avaliação dos dois governos é que a visita do vice-presidente Joe Biden, na semana passada, foi o passo que faltava para desanuviar a relação - que teria saído do modo "frio" para o modo "morno".

A ideia é que está na hora de deixar para trás a crise causada pela espionagem da National Security Agency (NSA). O assunto foi abordado no encontro entre Biden e Dilma - mas o problema prático, agora, é achar uma data. A Casa Branca não recebe candidatos em campanha e sobram, assim, os meses de novembro e dezembro, se a agenda de Obama permitir.

(Com Estadão Conteúdo)