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Estados Unidos (finalmente) se apaixonam pelo futebol com a Copa do Mundo

26/06/2014 17:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02
Bader Sobayel/Instagram

Rompendo seu histórico desprezo pelo futebol, os norte-americanos finalmente se apaixonaram pela Copa do Mundo. As partidas da seleção dos EUA batem recordes de audiência na TV, superando esportes tradicionais no país como o beisebol. Movimentos populares pressionam a Casa Branca para decretar feriado nos dias de jogos. Notícias sobre a Copa dominam as manchetes de jornais e revistas. E a classificação de hoje para as oitavas de final marca a virada definitiva: a audiência foi tamanha que chegou a derrubar o site da ESPN norte-americana. O "soccer" caiu, de uma vez por todas, no gosto do grande público nos EUA.

A divulgação das fotos de Barack Obama seguindo o jogo de hoje contra a Alemanha, enquanto voava a bordo do Air Force One, confirma essa tese. A equipe de comunicação da presidência percebeu a ascenção do futebol na cultura pop do país e não perdeu a oportunidade de mostrar um presidente sintonizado com o esforço da sua seleção nacional para continuar viva na competição.

obama copa do mundo

A Casa Branca recebeu esta semana uma petição popular solicitando que sejam decretados feriados nos jogos dos EUA na Copa. Como ela ainda não alcançou o mínimo de 100 mil assinaturas, não pode ser analisada por Obama. Mas isso tem chance de mudar em breve. Já o governador de Nova York, Andrew Cuomo, concedeu aos funcionários públicos do Estado uma hora adicional no almoço de hoje para que todos pudessem acompanhar o jogo contra a Alemanha.

Segundo a ESPN, a partida entre EUA e Portugal foi recorde absoluto de audiência na rede de TV esportiva. Superada apenas por transmissões do Super Bowl, o futebol norte-americano, esse jogo conseguiu algo até então impensável: ter mais audiência do que qualquer partida de beisebol já exibida pela ESPN nos EUA. Resta aguardar a divulgação dos índices do jogo contra a Alemanha _que o HuffPost americano comemora com a manchete "USA Survives Group of Death". E, mais ainda, a partida dos EUA nas oitavas contra a Bélgica, dia 1 de julho.

huffpost eua nas oitavas

O embate contra Portugal, aliás, comoveu até o sisudo jornal "The New York Times", que em artigo nesta semana declarou ainda estar tentando "entender as emoções" despertadas pela partida. O jornal dedica enorme espaço à Copa, tanto em suas páginas impressas quanto em seu website. As "estranhas" regras do "beautiful game" são cuidadosamente discutidas em artigos de opinião. Uma sensacional reportagem multimídia mostra em detalhes a movimentação muscular de Neymar, Iniesta e Cristiano Ronaldo.

O melhor resumo deste novo caso de amor dos norte-americanos pode ser visto neste blog no site da revista The New Yorker. Ainda que ele reclame das regras do jogo e da injustiça do gol português no último minuto contra os EUA, não tem pudor e declarar logo no título: "The Day America Feel in Love With the World Cup".

new yorker futebol

Nos anos 70, a transferência de Pelé do Santos para o Cosmos de Nova York foi a primeira grande ofensiva de marketing do soccer na terra do Tio Sam. Em 1994 os EUA receberam a Copa do Mundo pela primeira vez em seu território, quando o Brasil foi campeão. Mas a repercussão daquele evento em solo norte-americano não chegou aos pés do que está acontecendo nesta Copa do Brasil. Nosso papel nessa conversão dos EUA ao soccer é fundamental. Na mesma New Yorker, outro artigo faz uma detalhada arqueologia da resistência dos norte-americanos em abraçarem o nosso futebol. Mas agora, parece que tudo isso é passado, comomostra o vídeo abaixo gravado em Chicago, durante o jogo entre EUA e Alemanha...