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20/06/2014 10:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Número de refugiados no mundo é o maior desde a Segunda Guerra Mundial

Anadolu Agency via Getty Images
KILIS, TURKEY - JANUARY 22: A little girl with her baby doll poses at the Oncupinar Container city including social facilities, school, vocational courses, health services and sport centers where nearly 14,000 Syrian refugees taking shelter in Turkey live, Kilis, January 22, 2014. More than 100,000 people have been killed in the three-year-old conflict in Syria and over two million Syrians are now registered as refugees in neighboring countries, Turkey, Lebanon and Iraq, according to the UN. (Photo by Atilgan Ozdil/Anadolu Agency/Getty Images)

Pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, o número de pessoas forçadas a deixar suas casas no mundo inteiro passou o número de 50 milhões, disse a Agência da ONU para Refugiados, a Acnur, nesta sexta-feira (20).

A fuga dos sírios do derramamento de sangue me seu país natal, além de outras crises pelo mundo, causaram o aumento de refugiados, disse a Acnur em seu Relatório Anual.

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Mais de 50 milhões de pessoas estavam deslocadas à força em 2013. Em entrevista, o alto comissário, Antônio Guterres, disse que havia 10,7 milhões de novos deslocados em 2013 e 2,5 milhões de novos refugiados, o que caracterizou como "aumento colossal".

Segundo o relatório Acnur, Tendências Globais 2013, no fim do ano passado, o número de deslocados fora ou dentro dos seus países atingiu 51,2 milhões, entre eles 16,7 milhões de refugiados. Esse total representa um aumento de 6 milhões de pessoas deslocadas em relação aos 45,2 milhões de 2012, que incluíam 15,4 milhões de refugiados.

"Isso demonstra que a paz está seriamente em déficit (...) Assistimos a uma multiplicação de novas crises (...). Ao mesmo tempo, antigas crises parecem nunca acabar e os problemas continuam em vários lugares do mundo", declarou Guterres, ressaltando a capacidade limitada da comunidade internacional para encontrar soluções e prevenir crises. "Vemos que o Conselho de Segurança [das Nações Unidas] está paralisado perante muitos problemas cruciais", acrescentou.

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A guerra na Síria é uma das principais causas do aumento, sendo que no ano passado o conflito gerou 2,5 milhões de refugiados e 6,5 milhões de deslocados internos. Grandes movimentações de população foram registradas também na República Centro-Africana e no Sudão do Sul.

O relatório indica que do total de refugiados no mundo, 2,56 milhões são originários do Afeganistão, 2,47 milhões da Síria e 1,12 milhão da Somália. Os principais países de acolhimento de refugiados são o Paquistão (1,6 milhão), Irã (857.400), Líbano (856.500), a Jordânia (641.900) e Turquia (609.900).

A região da Ásia e do Pacífico contabiliza o maior número de refugiados no mundo, com 3,5 milhões de pessoas, seguida pela África Subsaariana (2,9 milhões), a África do Norte e o Meio Oriente (2,6 milhões).

O alto comissário informou ainda que "86% dos refugiados encontram acolhimento nos países em desenvolvimento", mais do que os 70% que passavam a viver nesses países há uma década. Para ele, a tendência no mundo é "mais e mais refugiados ficarem nos países em desenvolvimento".

No ano passado, 50% dos refugiados eram menores, o maior valor há uma década, e foi registrado número recorde de 25.300 pedidos de asilo de menores de 18 anos que não estavam acompanhados pelos pais. "Isso é uma nova tendência, particularmente preocupante", destacou Antônio Guterres.

Em 2013, 1,1 milhão de pessoas pediram asilo, sendo os maiores números originários da Síria (64.300), do Congo (60.400) e da Birmânia (57.400). A Alemanha é o país que recebe mais pedidos de asilo.

"Estamos com um problema cada vez maior e, ao mesmo tempos, poucos recursos para ajudar tanta gente em circunstâncias tão trágicas. Esses conflitos não geram só um desafio humanitário, mas representam hoje uma ameaça para a paz global", alertou o comissário.

No ano passado, 414.600 pessoas receberam a ajuda do Acnur para voltar às suas casas voluntariamente ou reinstalar-se em outro país. "Quando uma resposta humanitária não pode resolver os problemas de tantas pessoas, temos que apelar à comunidade internacional para superar as diferenças. É a única solução que existe para deslocamentos forçados", comentou Guterres.

(Com Agência Brasil e Associated Press)